MINISTÉRIO PASTORAL, EXCELENTE OBRA MESMO?!

Por João Marcos Bezerra
jmarcoscb@gmail.com
Texto base: 1Timóteo 3.1-7

A primeira carta de Paula a seu filho na fé Timóteo é uma das três cartas pastorais, juntamente com 2Timóteo e Tito. O apóstolo “escreveu esta epístola para encorajá-lo e instruí-lo em relação a assuntos práticos como adoração pública, as qualificações dos oficiais da igreja, e a confrontação do ensino falso na igreja” (SHEDD). Este livro também registra relações com viúvas, anciãos, escravos e mestres falsos[1] que o jovem pastor deveria lidar em seu ministério na igreja localizada na importante cidade de Éfeso. Seriam muitos desafios e Paulo teve a preocupação de deixar orientações preciosas.
O terceiro capítulo da carta possui as qualificações para os pastores e diáconos na igreja; assim como em Tito 1.6-9. São elas: irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro, não beberrão, não violento, amável, pacífico e não avarento, bom administrador do lar com filhos crentes e obedientes, maduro na fé (não neófito, isto é, novo convertido) e com boa reputação perante os de fora. A diferença entre as duas listas de atributos é que em 1Timóteo 3.2-7 também fala que o líder deve ser apto para ensinar. As demais características se referem ao caráter.
Com isso, a primeira coisa que podemos destacar, assim como destacamos em Tito 1, é que estas qualificações devem existir em todos os cristãos porque, antes de um homem ser qualificado para o ministério pastoral, ele precisa ter antes um bom caráter. Isto é reforçado quando lemos Gálatas 5.17-26 e Colossenses 3.5-14 que compara as características de quem está na carne com quem tem o Fruto e as virtudes do Espírito Santo. Sem estas, não é possível ser um líder na igreja.
Porém, o que chamo atenção neste momento é o termo inicial: “Esta afirmação é digna de confiança: se alguém almeja ao episcopado, excelente obra almeja” (v.1), pois afirma que este ministério é bonito, gracioso, insuperável, precioso, admirável, bom, aprovado, louvável, nobre e digno de honra, conforme o significado do termo ‘excelente’ no original grego, kalos (STRONG)[2]. Aí, sugiro uma provocação: como um serviço tão precioso tem causado problemas familiares e de saúde, depressão, frustração e até levado ao suicídio de alguns pastores? Já pararam para pensar nisso?!
Alguns podem responder que uma coisa não tem nada a ver com a outra. E devemos concordar. Os problemas não fazem com que o ministério pastoral deixe de ser nobre e bonito, pois, biblicamente falando, ser pastor é:
1.      Cuidar da (supervisionar a) igreja (1Tm 5.17);
2.      Trabalhar com empenho exaustivo ao estudo e ensino da Palavra (1Tm 5.17);
3.      Tomar conta das ovelhas, isto é, suprir o necessário para as necessidades da alma (do grego poimaino – 1Pe 5.2);
4.      Aconselhar os irmãos (1Ts 5.12).
Devemos concordar que estas atribuições fazem o exercício pastoral ser digno de honra. Todavia, também devemos refletir se, como igreja, estamos dando tarefas além destas aos nossos pastores, ou estamos deixando eles sozinhos na caminhada ou sem recursos suficientes para realizar o papel? Porque são as atividades extras, a solidão e a falta de recursos que tem desgastado, frustrado, levado a desistência e a problemas familiares e de saúde, e até ao suicídio de homens chamados por Deus ao serviço pastoral.
Amados, escrevo estas coisas não como pastor, mas como filho, irmão e amigo de pastor. Exponho isso por ver em diversos momentos igrejas que não dão recursos pessoais (irmãos dispostos a trabalhar), materiais (didáticos, estrutura e equipamentos) e financeiros (dinheiro para atividades e remuneração) para o exercício pastoral e exige como se desse tudo o que é necessário para tal.
Quando falo de recursos pessoais estou me referindo a ter irmãos dispostos a trabalhar e auxiliar o pastor. Quando de recursos materiais, falo de livros didáticos, estrutura e equipamentos necessários. Quando de financeiros, sobre dinheiro para as atividades e remuneração adequada. Se, como igreja, não dispomos destes recursos devemos tomar cuidado com as cobranças que fazemos.
Com tudo isso, gostaria de propor a igreja outros questionamentos:
1.      Será que, como igreja, damos mais atividades ao pastor do que suas obrigações bíblicas?
2.      Será que, como igreja, dispomos dos recursos necessários para a atividade pastoral?
3.      Será que, como igreja, temos ajudado o pastor nos ministérios da igreja?
4.      Será que, como igreja, exigimos de um pastor humano qualidades de um super-homem?
Se a resposta a estas perguntas é não, estamos no caminho certo como igreja. Mas se a resposta for sim para alguma delas, temos que analisar onde estamos errando e voltar para o caminho. Muitas vezes cobramos muito além do que a atribuição pastoral e colocamos serviços da igreja sob a responsabilidade total do líder e negligenciamos as nossas responsabilidades como membros da igreja.
Então, a minha oração é que deixemos ao pastor somente a missão de supervisionar a igreja, estudar e ensinar o Evangelho de Jesus e suprir as necessidades e aconselhar as ovelhas; que o que passar disso seja assumido por outros irmãos da igreja para que não haja sobrecarga, desgaste, frustração e problemas para o pastor da igreja. Porque assim não permitiremos que os problemas diminuam a excelência do ministério pastoral e também proporcionará a igreja ser instrumento de Deus para transformar vidas por meio da Mensagem da Cruz de Cristo. Amém!


[1] Bíblia Sheed
[2] Bíblia Strong: português, hebraico e grego. Aplicativo de celular.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SÓ QUEM PODE ME JULGAR É DEUS! SERÁ?!

CADMIEL: UMA HISTÓRIA SEM FIM

PRECISAMOS FALAR DE SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA?