NÃO SEJA MÔCO

por João Marcos Bezerra – jmarcoscb@gmail.com
Txt base: Tg 1.19-27

Consequentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. (Rm 10.17 NVI)

Você sabe o que é môco? Não?! Então, leia este texto até o fim e descubra. Se já sabe o que é, precisa entender qual a relação desta expressão com o texto de Tiago 1.19-27. Então, leia este texto até o final também. (hehehe)
Para começar, vamos conhecer um pouco sobre a carta de Tiago. Possivelmente, ela foi a primeira do Novo Testamento a ser escrita (45d.C) e tem como seu autor, nada mais, nada menos, do que o irmão de Jesus. Só que ele se converteu somente após a ressurreição de Cristo, mas depois disso se tornou apóstolo na igreja (At 1.14; Gl 1.19). [Jesus também teve outro irmão escritor de um livro na Bíblia, Judas]. Além disso, Tiago se tornou um dos líderes da igreja em Jerusalém (At 15.13-21; Gl 2.9).
A carta foi enviada para dar diversas orientações a Igreja, principalmente aos irmãos em Jerusalém, dentre essas diretrizes encontramos: a alegria na provação, a busca pela sabedoria divina, a prática da Palavra, a inutilidade da fé sem as obras, o cuidado no falar, o não considerar pessoas menos importantes do que outras etc.. No caso do texto base deste artigo, a temática principal é: não devemos apenas ouvir a Palavra, mas coloca-la em prática.
O verso 19 inicia o trecho chamando a atenção para que o seguidor de Cristo não fale sem necessidade, não se deixe dominar pela raiva e esteja pronto para ouvir. Isto diretamente já traz uma grande lição, precisamos ouvir mais do que falamos. John Maxwell relaciona o bom líder ao bom ouvinte: “bons líderes motivam os outros pela sua habilidade de ouvir”. Todavia, diversos comentaristas bíblicos abordam que o versículo também chama a atenção para não começarmos a anunciar as Boas Novas sem que ela seja colocada em prática na vida daquele que fala (Shedd e MacArthur).
Até mesmo porque a palavra grega (laleo) usada no texto é definida não só como falar e conversar, mas como “anunciar, contar, usar palavras a fim de tornar conhecido ou revelar o próprio pensamento” (Strong), ou seja, antes que se fale ou converse sobre algum assunto, ou algum pensamento, para torna-lo conhecido, é necessário que você tenha o cuidado em ouvir a mensagem primeiro, investigar o que se diz sobre ela, ouvir diversas versões do tema, e ainda não deixar que a ira tome conta. Quando não ouvimos cuidadosamente ou deixamos a raiva tomar conta de nós, na maioria das vezes falamos besteira.
Logo em seguida a esta chamada, no verso 21, somos convidados a nos despir, a retirar (apotithemi) toda a impureza, sujeira, mancha e desonra (rhuparia) e também toda a abundância (perisseia) de maldade que há em nós (Strong). Toda a obra da carne que se manifestava em nós antes da conversão (por exemplo: imoralidade sexual, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções, inveja, embriaguez e orgias – Gl 5.19-21) deve ser removida das nossas vidas.
Após isso, devemos acolher, segurar, receber (no sentido de não recusar relação ou amizade) a Palavra (logos). Esta palavra é a própria Palavra de Deus, o próprio Cristo (Jo 1.1,2). Isto significa que, após retirar a impureza e a maldade, o seguidor de Jesus deve manter uma relação de amizade com os ensinos das Escrituras Sagradas. Com isso, precisamos refletir em como está a nossa relação com o pecado e com a Palavra. A que nos apegamos e nos tornamos amigos, ao pecado ou a Bíblia?
Quando ouvimos a Mensagem de Deus e não a colocamos em prática somos iguais ao homem que observa num espelho o seu rosto e logo após se retirar de diante do espelho esquece a própria face (vs.23,24). O texto também o chama de ouvinte desatento, esquecido. Shedd expõe que a palavra ouvinte (akroatai) é um “termo usado especificamente para àqueles que assistiam aulas, mas não se tornavam verdadeiros discípulos”, ou seja, eram maus aprendizes do seu mestre. É como aquele aluno que vai à aula e quando ainda está na aula o professor ou alguém faz uma pergunta sobre a matéria que acabou de ser ensinada e o aluno não sabe responder. Então, o cristão que ouve a Palavra e não a pratica é um mau aluno de Jesus, um mau seguidor de Cristo. É alguém que não é “pronto para ouvir” (v.19).
Antes de concluir, quero chamar a atenção que aquele que ouve a Palavra e a coloca em ação é chamado de “fazedor da obra” (v.25 ACF). O termo grego para obra (ergon) pode ser traduzido como “negócio, serviço, aquilo que alguém se compromete de fazer, tarefa” (Strong). Esta definição me faz lembrar que, quando tomamos a decisão de entregar a nossa vida a Jesus e recebe-lo como Senhor e Salvador, assumimos um compromisso com Ele de estarmos sujeitos a Sua autoridade, ao Seu domínio. Esta submissão está ligada a obediência a Sua Palavra, que é a Bíblia. Por isso, a partir do momento em que tomamos uma decisão de entrega a Cristo temos o dever de sermos um ouvinte que faz aquilo que ouve, isto é, um fazedor da obra.
Com isso, podemos concluir que é extremamente necessário ao servo de Deus ouvir a Palavra com atenção, pois a fé vem pelo ouvir a mensagem de Cristo (Rm 10.17), e, ainda mais, é essencial colocar em prática tudo o que se ouve e aprende no estudo da Bíblia. A prova da nossa boa audição, que somos bons ouvintes, está em praticar aquilo que o nosso Mestre nos mandar fazer. Caso contrário, seremos “como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia; caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu; e foi grande a sua queda” (Mt 7.26,27). Se você não quiser ter a sua vida em ruinas, não seja môco (expressão usada no nordeste para surdo), torne-se um bom ouvinte e coloque em prática o que a Bíblia ensina. Deus abençoe!
 
Leia a Bíblia e a coloque em prática se quiser viver.

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