SÓ QUEM PODE ME JULGAR É DEUS! SERÁ?!

por João Marcos Bezerra – jmarcoscb@gmail.com
Txt base: Mt 7.1-5

Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados… (Mt 7.1,2 NVI)

Atualmente é bem comum ver as pessoas fazerem algo errado e quando alguém fala alguma coisa, o infrator se justifica logo dizendo: “ninguém pode me julgar; só quem pode me julgar é Deus”. Outros defendem alguns pregadores “cristãos” da mídia que cometem erros doutrinários grosseiros, dizendo também: “ninguém pode julgar eles; pelo menos estão ganhando almas”. Algumas destas pessoas usam Mateus 7.1 como fundamento para a frase: “Pois Jesus mesmo falou ‘não julgueis, para que não sejais julgados’”. Será que é isso mesmo? Será que o Senhor não permite o julgamento? Ou se permite qual o tipo de julgamento que é condenado neste texto de Mateus?
Para começar é importante entender o termo ‘julgar’ no texto bíblico. No original grego (krino) a definição é “selecionar, escolher; ser de opinião, pensar; decretar; pronunciar uma opinião relativa ao certo ou errado; sujeitar à censura; recorrer à lei” (STRONG)[1]. Então, o sentido da palavra é muito mais amplo do que simplesmente determinar se a pessoa agiu corretamente ou não, mas está no fato de escolher, pensar, opinar se é certo ou errado. Será que Jesus não queria que as pessoas fizessem isto?
Ao ler o contexto, logo de cara, percebemos que Jesus alerta que com o mesmo critério que julgamos seremos julgados, ou seja, se sentenciamos alguém por sentimentos próprios também estaremos sujeitos que alguém nos julgue desta forma. MacArthur[2] fala que “julgamento hipócrita, de censura, de justiça própria e outros tipos de julgamentos injustos são proibidos” neste texto. Já Shedd afirma que “não se proíbe o uso de critérios sãos. O que é proibido é o espírito de crítica, que aumenta o erro alheio”. Além dessas afirmações, podemos ver na Bíblia ainda outros textos importantes acerca do julgamento com critérios pessoais:
1.     “‘Considerem atentamente o que vocês estão ouvindo’, continuou ele. ‘Com a medida com que medirem, vocês serão medidos; e ainda mais lhes acrescentarão…’” (Mc 4.24);
2.     “Portanto, você, que julga, os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas.” (Rm 2.1);
3.     “Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.” (Rm 14.10);
4.     “Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade; porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo!” (Tg 2.12,13);
5.     “Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão” (Mt 7.5).
O julgamento condenado em “Não julgueis, para que não sejais julgados” é aquele que usa a própria opinião para decretar condenação a outro ou aumentar a culpa deste. Não abrange todos os tipos de julgamentos. O texto tem o objetivo de chamar a atenção para que ao ver o pecado no outro a gente primeiro faça uma análise para ver se não estamos cometendo o mesmo erro. É possível que estejamos com uma viga de madeira no olho, enquanto que o irmão esteja com apenas uma partícula infinitesimal no olho dele. Se fizermos isto, seremos hipócritas, uma pessoa que julga por debaixo de uma máscara ou um ator que finge ser quem não é (WUEST)[3].
Ao fazer uma leitura bíblica encontramos outros textos que falam sobre julgarmos os atos de alguém:
1.     “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos.” (Jo 7.24);
2.     “Se algum de vocês tem queixa contra outro irmão, como ousa apresentar a causa para ser julgada pelos ímpios, em vez de levá-la aos santos? Portanto, se vocês têm questões relativas às coisas desta vida, designem para juízes os que são da igreja, mesmo que sejam os menos importantes.” (1Co 6.1,4);
3.     “Amados, não deem crédito a qualquer espírito; antes, provem os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.” (1Jo 4.1);
4.     “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos… Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!” (Mt 7.15,16,19,20)
Precisamos diferenciar o certo e o errado e orientar os irmãos quando cometem erros, mas para julgar alguém, precisamos ter critérios justos. Como somos seres humanos cheios de pecado e injustiça, não temos este padrão excelente em nós. Só quem o tem é Deus. Então, precisamos usar os critérios Dele para ensinar, repreender, corrigir e instruir na justiça, que estão nas Escrituras Sagradas, no intuito de que “o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2Tm 3.16).
Com isso, é importante ressaltar que não podemos usar Mateus 7.1 para se defender quando alguém vier julgar o nosso erro, pois não há pecado em repreender e exortar um irmão quando este peca. Quando for julgar, façamos com critérios divinos, usemos de misericórdia, façamos “tudo com amor” (1Co 16.14) e, primeiramente, avaliemos a própria vida antes porque possivelmente estaremos praticando o mesmo ato que estamos julgando.

Quem repreende o próximo obterá por fim mais favor do que aquele que só sabe bajular.
(Salomão – Provérbios 28.23).

[1] Bíblia Strong: português, hebraico, grego. Aplicativo para celular.
[2] Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
[3] WUEST, Kenneth S. Jóias do Novo Testamento grego. São Paulo: Imprensa Batista Regular.

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