FUSÃO NUCLEAR

por João Marcos Bezerra – jmarcoscb@gmail.com
Txt base: Gn 2.24 (Leitura: Gn 2.20-25)
 
Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’. ‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. (Mc 10.6-8)

 No capítulo primeiro de Gênesis Deus criou os céus e a terra. A luz, dia e noite, os céus e as águas, a terra e os mares, as plantas, os astros no céu, o sol e a lua, os animais e o homem e a mulher, foi esta sequência da criação. No capítulo 2, além de falar que o Criador descansou ao sétimo dia e que as plantas terrestres eram regadas pelo orvalho que subia da terra e não por chuva (porque esta só começou a partir do dilúvio), detalha como o homem e a mulher foram criados; do barro e da costela, respectivamente. Neste contexto que quero tratar sobre a fusão nuclear necessária para a família.
Fusão é uma aliança, união ou processo de transformação de dois elementos contíguos [próximos] num terceiro (Aurélio Séc. XXI). Já a “fusão nuclear é a união dos prótons e nêutrons de dois átomos para formar um único núcleo atômico, de peso superior àqueles que lhe deram origem” (Cola da Web). Quando se fala em fusão juntando casamento e Bíblia, temos como significado: a união de dois indivíduos, macho e fêmea, num casal, numa só carne. É o momento onde o homem e a mulher deixam a casa de seus pais, “juntam as escovas” e vão comer alguns quilos de sal juntos. (Há quem diga que um casal só se conhece bem após comer muito sal juntos. rsrsrs).
Este relacionamento, homem e mulher, começou na criação do mundo, onde todos os animais formavam um casal, macho e fêmea, entre mesma espécie, e Deus viu que o homem estava só. Então, criou uma parceira que lhe correspondesse emocional e fisicamente. Com este cenário, é possível compreender as palavras do próprio Adão quando ele acordou e viu uma obra prima esculpida pelo Criador, tendo como matéria prima a costela do homem: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!” (v.23). A partir do verso seguinte podemos aprender alguns princípios para um casamento saudável.
Primeiro, o termo hebraico usado no original (Iazab) escrito como ‘deixa’ é definido por soltar, abandonar, deixar para trás, libertar. Isto significa que é necessário que os dois deixem todo e qualquer tipo de relacionamento que esteja num nível de prioridade maior que o conjugal. Nada pode ficar entre a relação marido e mulher. Isto não se refere somente a pai e mãe, mas amigos, irmãos, filhos ou ‘ex’ não devem ter “laços” que atrapalhem o relacionamento conjugal. Além disso, é importante que alguns comportamentos e costumes também sejam abandonados por ambos.
Depois, é preciso que os dois se unam numa ligação afetiva bem forte e íntima, pois o termo hebraico dabaq usado no original significa grudar-se a, colar, permanecer junto. O interessante é que são dois inteiros e não duas metades que se unem para ser 01 unidade, fusão. Para melhor entender esta união vamos fazer a seguinte experiência: pegue duas bolas de massa de modelar, uma azul e outra vermelha; depois junte as duas e as misture. O que obteremos? Uma bola maior com uma cor diferente porque os dois se uniram numa relação tão íntima, emocional e física, que se transformaram num só corpo e numa nova estrutura.
Isto nos leva ao terceiro princípio, que se destaca por meio do verbo tornar no versículo. É requerido que o homem e a mulher que deixaram pai e mãe e se uniram, transformem-se numa única composição harmônica. De tal forma que nesta união não haja mais como separar. Você lembra das duas massas de modelar que quando unidas e bem misturadas não é possível separar e voltar a ser duas massas separadas de cores diferentes? Assim também deve ser o casal. Depois de casado, não há como os dois viverem separados um do outro sem que alguém perca algo ou de se afastar de vez do outro sem levar um pedaço. Já era! Não tem mais volta! Casou, os laços ficam para toda a vida. É muito difícil romper.
As diferenças precisam ser ajustadas dentro do casamento e não separadas. Os casos de divórcio devem ser exceções bem esclarecidas, depois que todas as possibilidades forem esgotadas e que a fé que Deus pode restaurar o casamento se perca completamente por pelo menos uma das partes. Mesmo assim não consigo acreditar que qualquer crise no casamento não possa ser resolvida porque “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37) e “o que Deus uniu, ninguém o separe” (Mc 10.9). Daí, falo aos noivos ou candidatos: se você cogita o divórcio como uma possibilidade no futuro do seu possível casamento, não case. Termine o namoro ou noivado enquanto é cedo.
Por último, o princípio mais importante da fusão de fato está na expressão ‘uma só carne’, que é usado em quatro textos sempre para falar sobre casamento ou união entre homem e mulher: Gn 2.24, Mt 19.6, Mc 10.8 e 1Co 6.16. Neste último, está escrito: “Vocês não sabem que aquele que se une a uma prostituta é um corpo com ela? Pois, como está escrito: “Os dois serão uma só carne”.” (1Co 6.16). Isto é uma declaração de que aquele que faz sexo com uma mulher que não seja a sua está se prostituindo e se tornando ‘uma só carne’ com a prostituta.
Com isso, podemos entender que a expressão ‘uma só carne’ trata sobre o envolvimento sexual do casal. É neste momento que os dois núcleos atômicos (homem e mulher) se tornam um único elemento nuclear. É a partir disto que há a ligação física e a consumação do casamento. Sem isso pode haver até anulação do casamento. Já houve casos no Brasil onde matrimônios foram anulados porque um dos cônjuges se recusou a ter relação sexual com o outro, tendo como base o artigo 1.557 do Código Civil que estabelece o “erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge”, conforme notícia veiculada no site ‘Consultor Jurídico’ (www.conjur.com.br). Então, pelo sexo ser tão importante no casamento, também é recomendado que a transa ocorra somente no matrimônio.
Diante de tudo, quando Gn 2.24 traz estes princípios (deixar, unir e tornar uma só carne) e há a repetição deste verso no N.T., podemos aprender que, além de querer dizer que agora Adão tinha uma parceira, ajudadora e correspondente: a partir dali qualquer casal deve deixar outras prioridades que não seja o cônjuge; que deve existir união plena - apesar das diferenças; que eles devem se tornar uma única estrutura; que o sexo é a consumação do casamento e deve ocorrer somente dentro dele; e, que cada casal deve se esforçar ao máximo para ser um casal segundo o ideal de Deus, no intuito de formar um núcleo familiar bem feito e consolidado. Agora é aplicar estes princípios no casamento de cada um para que o mesmo seja bem sucedido. Deus abençoe a todos!

Uma Fusão Nuclear bem feita gerará uma família saudável.

Comentários

Anônimo disse…
Título muito apropriado!!! É comendo sal que a parada vai dando certo.

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