DEUS JULGA OS PECADOS DE FORMAS DIFERENTES



por João Marcos Bezerra - jmarcoscb@gmail.com
Baseado no comentário de 1João 5.16 da Bíblia de Estudos NTLH
Texto base: 1João 5.16,17

Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. (1João 5.16c)

Ouvimos muito falar que para Deus não existe pecadinho e pecadão, isto é, não há diferença entre pecados. Para Deus matar é igual a furtar e adulterar é igual a mentir. Realmente, não há evidência bíblica de que haja distinção até encontrarmos que “a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada” (Mt 12.31) e que “há pecado para morte” (1Jo 5.16). Então, como fica essa história? Se não tem diferença, como existe pecado não perdoado e para morte?
Pecado, do grego harmatia, é “desviar-se do caminho de retidão e honra, fazer ou andar no erro, desviar-se da lei de Deus, uma violação da lei divina em pensamento ou em ação” (Bíblia Strong). Isto é um conceito conhecido e claro deste termo. Entretanto, quando se fala em ‘pecado para morte’ muitas dúvidas ficam no ar e também muitos desenvolvem teorias das mais diversas sobre o assunto.
Por exemplo, John MacArthur comenta que isso mostra um julgamento divino diferenciado às transgressões humanas. Outros afirmam que trata da blasfêmia contra o Espírito Santo. Ainda existem aqueles que fazem referência à imoralidade existente entre os irmãos de Corinto a quem Paulo recomenda entregar a Satanás o corpo daquele que teve relações com a madrasta (1Co 5.1-8). Diante de tantos argumentos, tomei a decisão de assumir uma das teorias, partindo da análise contextual, tentando compreender o significado das palavras do apóstolo João.
Antes de chegar ao nosso texto base, o autor da carta trata como mensagem central a vida cristã em união com Deus e com o próximo por meio do amor. Ele declara que “Deus é luz”, deixando claro que não é possível viver unido ao Senhor se viver na escuridão, que é estar no pecado (1.5-10). Somente por meio de Cristo podemos ter nossos pecados perdoados e não viver pecando, mas se pecarmos Ele é nosso advogado (2.1,2). Isto porque só alcançaremos a perfeição quando contemplarmos a glória de Cristo (3.1-3).
O apóstolo ainda nos leva a compreensão de que a prova da nossa relação verdadeira com o Pai está na obediência aos seus mandamentos (2.3-6). “E este é o seu mandamento: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou” (3.23). Com isso, o apóstolo leva a afirmação de que quem nega que Jesus não veio em carne não tem o Espírito de Deus e, sim o espírito do anticristo (4.1-3).
O capítulo 05 começa confirmando que amamos a Deus quando obedecemos aos seus mandamentos (v.2) e só vence o mundo e tem a vida eterna “aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus” (vs.5,11). A partir do verso 14 vemos a sentença de que “se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve” e que “se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus lhe dará vida” (v.16). É aqui onde podemos extrair a nossa interpretação do termo “pecado para morte”.
O pecado para morte nada mais é do que a negação da fé em Cristo, ou seja, é a apostasia. O termo apostatar, do grego aphistemi, empregado em 1Tm 4.1 significa “fazer retroceder, abandonar, afastar-se de alguém, tornar-se infiel” (Bíblia Strong). É característica daquele que um dia “seguiu” a Jesus. “Eita! Então, se eu me afastar da igreja, deixar de ler a Bíblia e orar, estou tão ‘lascado’ que os irmãos não devem orar pelo meu retorno?!”. Não se trata disso!
O que pratica o pecado para morte nega não somente a fé no Messias, mas passa a questionar se Jesus veio como homem ou se o Jesus histórico é mesmo o Deus encarnado. Ao duvidar do Verbo, a pessoa termina declarando também que as ações do Espírito Santo são atos de outra entidade, como fizeram os fariseus (que não criam que Cristo era Deus em carne) ao declararem que Cristo expulsava demônios “pelo poder de Belzebu” (Mt 12.31,32), ou seja, blasfêmia contra o Espírito Santo.
Em Hebreus 6.4-6 está escrito:

Como é que as pessoas que abandonaram a fé podem se arrepender de novo? Elas já estavam na luz de Deus. Já haviam experimentado o dom do céu e recebido a sua parte do Espírito Santo. Já haviam conhecido por experiência que a palavra de Deus é boa e tinham experimentado os poderes do mundo que há de vir. Mas depois abandonaram a fé. É impossível levar essas pessoas a se arrependerem de novo, pois estão crucificando outra vez o Filho de Deus e zombando publicamente dele.

Com isso, podemos concluir que, apesar do “salário do pecado” ser a morte (Rm 6.23), se houver confissão de pecado Deus perdoa (1Jo 1.9) e dá a certeza da vida eterna (5.13). “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge” (v.18). Todavia, aquele que retrocede na fé e nega que Jesus veio em carne peca para morte – não adianta orar “a respeito desse pecado” (v.16).
Daí, conclui-se que o pecado para morte não tem nada a ver com Deus julgando os pecados de formas diferentes ou que existe pecadinho e pecadão. Nada mais é do que abandonar a fé em Cristo, de tal forma que não reconheça que Jesus é Deus em carne e, muito menos, acreditar que haja operação do Espírito Santo.
Deus tenha misericórdia de nós! Amém!

Comentários

Petherson Costa disse…
Gostei muito, cara! Que tal um próximo texto sobre apostasia!? Haha

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