BIBLIOLOGIA

Por João Marcos Bezerra
(Fonte das informações e citações: material de estudos da disciplina ‘Teologia Sistemática’ do SETEB)

A Bíblia é “o conjunto de livros sagrados do Antigo e do Novo Testamento” (Aurélio). O nome vem do grego biblíon. Esta coleção foi formada por um cânon fechado. O cânon do A.T. surgiu bem antes da formação da igreja. Já o do N.T. se formou a partir da reivindicação da autoridade apostólico-profética.
Tudo começa com a revelação de Deus ao homem de várias maneiras, mas, principalmente através: da fala direta, de mensageiros, de sonhos e visões e do próprio Jesus Cristo.
Nas Escrituras Sagradas, também conhecida como a Palavra de Deus, está registradas toda a revelação dispensada pelo Senhor ao homem. Não há outra que complemente ou suplemente o que está contido na Bíblia, que é a autoridade final e suprema diante das outras várias formas de comunicação divina.
Estes desígnios de Deus são necessários porque é impossível conhecer os atributos Dele, conhecer ou conceber a idéia da Trindade, conhecer a graça divina, conhecer a origem e propósito da existência humana e conhecer o estado futuro, o que virá após a morte, sem uma revelação. E também “ela tira o véu da eternidade e nos mostra um mundo que nunca poderíamos conhecer ou descobrir por nosso próprio esforço e sabedoria.” (Evaristo Filho).
Para que a revelação chegasse ao homem era necessária uma produção divina da Bíblia através da inspiração. Existem várias teorias para ela: Inspiração Natural, diz que não há nada de sobrenatural na produção das Escrituras; Inspiração Parcial, contêm algumas palavras de Deus e o resto são humanas podendo conter erros; Inspiração Conceitual, defende que os pensamentos são inspirados mas as exatas palavras não; Inspiração Didática, declara que os escritores registraram as palavras do Senhor passivamente; e, Inspiração Verbal e Plenária, defende que a Bíblia foi inspirada exatamente como está e sem erros.
Acredita-se que as Escrituras reivindicam esta última inspiração ao declarar que “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Timóteo 3.16 RA), e ao descrever que “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.21). Além disso, há apoio à inspiração divina no testemunho dos escritores do A.T., no do próprio Senhor Jesus, no dos escritores do N.T. e na autoridade delegada aos escritores deste.
Devido a Bíblia ter sido escrita por homens, mesmo que tenham sido inspirados por Deus para revelar os Seus desígnios a humanidade, há estudiosos que defendem que tem erros nela. Porém, a doutrina da inerrância defende que, se contem erros nas Escrituras, ela perde a sua autoridade e não pode ser considerada uma revelação divina.
A Bíblia ensina sua própria inspiração divina e autoridade, dá critérios para distinguir entre uma mensagem e um mensageiro de Deus das falsas profecias e profetas, usa Ela mesma de maneira a apoiar a sua inerrância que procede do que diz sobre o caráter de Deus. Além disso, a história e os pais da Igreja a defendem e a Epistemologia argumenta que: “se a Bíblia não é inerrante, então qualquer reivindicação que ela faça será considerada falsa”, como se sabe que há diversas verdades bíblicas aceitas pela sociedade em geral e difundidas por outras religiões, além do mais como a Palavra se apóia nela mesma, não há reivindicações falsas. Então, a inerrância é real e absoluta.
Essa coletânea da Palavra de Deus, com base na doutrina da revelação, da inspiração e da inerrância, foi formada através de um padrão ou regra conhecido como cânon. Este foi realizado pela Igreja que “não concedeu autoridade divina a qualquer livro canônico e nem autoridade eclesiástica a um livro meramente humano”, mas apenas a reconheceu.
Os critérios usados para testar e aprovar estes livros foram: autoridade reivindicada (“assim diz o Senhor”), autoria apostólica ou profética (“foi escrito ou tem o aval de um líder espiritual de Israel”), autenticidade (“consistência com as demais porções da verdade revelada”), dinâmica (tem o poder de mudar a vida das pessoas) e aceitação pela Igreja Primitiva.
É importante saber que o cânon do Antigo Testamento, também conhecido como Cânon Hebraico, já estava formado no período do Novo Testamento e jamais foi contestado por Jesus ou os Seus apóstolos. O Concílio de Jâmia, realizado em 90d.C, e a indicação dos livros por Josefo em 95d.C serviram somente para confirmar o cânon já conhecido pelos judeus.
Outra informação valiosa, é que os livros do Cânon Hebraico somavam 22 unidades nomeadas e formadas assim (Fonte: Revista Capacitação Cristã – Introdução a Bíblia – Editora JUERP):
1. No princípio (Gênesis);
2. Estes são os nomes (Êxodo);
3. E ele chamou (Levítico);
4. No deserto (Números);
5. Estas são as palavras (Deuteronômios);
6. Josué;
7. Juízes e Rute;
8. I e II Samuel;
9. I e II Reis;
10. Isaías;
11. Jeremias e Lamentações;
12. Ezequiel;
13. O Livro dos Doze (Profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias);
14. Louvores (Salmos);
15. Jô;
16. Provérbios;
17. Cântico dos Cânticos;
18. O Pregador (Eclesiastes);
19. Ester;
20. Daniel;
21. Esdras e Neemias;
22. I e II As palavras dos dias (I e II Crônicas).
O Cânon do Novo Testamento se formou a partir dos apóstolos e da relação que os outros escritores tinham com eles ou com a Igreja Primitiva, tendo como base os critérios já mencionados anteriormente. Porém, uma das mais antigas coleções do N.T. data de 170d.C. – o Cânon Muratório, e todos os 27 livros foram reconhecidos como inspirados pelos líderes e igrejas pelo Concílio de Cartago (397d.C.).
Os outros livros que não estão contidos no Cânon do A.T. e nem do N.T. são conhecidos como Apócrifos, inclusive os sete livros acrescidos pela Igreja Católica. Estes não foram reconhecidos até hoje pelos judeus e igrejas cristãs e evangélicas.
Isso é devido a partir da análise de que o A.T. se fechou com as profecias de Malaquias e a história contada no livro de Neemias. Os sete apócrifos católicos foram escritos no período inter-testamentário e outros ainda tem a datação da era do N.T. ou mesmo após. Já para o N.T. nenhum escritor poderia ser considerado inspirado se viveu após a época apostólica ou um escrito reconhecido canônico sem a aceitação geral da igreja.
Quando surge o questionamento se é devido confiar realmente na Bíblia pode se expor que há quatro evidências da credibilidade bíblica:
1. Internas: a unidade de sua mensagem e a unidade em seu propósito moral;
2. Externas: o cumprimento das profecias e a preservação da Bíblia ao longo da história;
3. Espiritual: a mensagem bíblica causa uma mudança de vida através do estudo e aplicação dos ensinos;
4. Literário: “a autoridade e confiabilidade de um documento histórico qualquer depende de sua autenticidade, integridade e veracidade”.
Após verificar a sua credibilidade é possível reconhecer a autoridade das Escrituras como a Palavra de Deus. O fato de não crer ou desobedecer a ela é pecar diretamente contra o próprio Criador.
Ela é o único manual que contem a Verdade, pois Deus é a fonte da verdade. Apesar de que a tradição, a filosofia, a educação e a experiência também são outras fontes disto, mas nenhuma tem a autoridade absoluta e final da revelação maior. E também Ela é o único livro que deve reger a fé e impor a obediência à vontade divina, rejeitando todas as filosofias e religiões que a neguem.
O Racionalismo, o Misticismo, o Catolicismo Romano (que coloca a própria igreja acima da Bíblia), as Seitas, a Alta Crítica, a Neo-Ortodoxia (que diz que a Bíblia não é a Palavra de Deus) e outras “Escrituras” são exemplos da negação da autoridade absoluta das Escrituras Sagradas.
Por fim, o homem deve submeter a vida ao Espírito Santo para que seja iluminado e venha a ter um claro entendimento do que a Bíblia ensina, no intuito de fazer uma aplicação coerente que acarrete mudança de vida e o testemunho seja reconhecido por outras pessoas. Isso tudo para que a Verdade divina seja difundida e ensinada como a única e absoluta verdade que pode mudar a história da humanidade.

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