CARTA DE MARCOS: O nascimento da igreja

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(Este é o esboço do futuro livro, sem título ainda, que pretendo escrever, onde terá o evangelista João Marcos como protagonista.)
Texto base: Livro de Atos dos Apóstolos, Mt 16.13-20
Por: João Marcos Bezerra

Olá, irmãos. Saúdo a todos com a graça e a paz do Senhor Jesus.
Meu nome é João Marcos, mas podem me chamar de Ir. Marcos, sou primo do Ir. José, também conhecido como Barnabé – aquele discípulo lá de Chipre que vendeu um campo seu e deu todo o valor para ajudar os irmãos necessitados e que também acolheu ao Ir. Saulo e viajou com ele. Também já acompanhei o Ir. Barnabé e o Ir. Paulo, aquele que foi perseguidor da igreja e viu o Senhor na estrada de Damasco, na primeira viagem missionária deles, mas os abandonei no meio do caminho e voltei a Jerusalém. Também fui discípulo do Apóstolo Pedro, da qual pude testemunhar da sua relação com o Senhor Jesus e escrever uma carta a igreja dos gentios e que hoje virou um dos quatro evangelhos. Este conta o testemunho do que o Ir. Pedro viu o Senhor fazer.
Porém, não estou aqui para falar de mim, mas quero contar um pouco sobre o que testemunhei do nascimento da Igreja. Para começar, não posso deixar de me lembrar das obras do Mestre como ponto de partida.
O Senhor Jesus, com a sua mensagem e seus feitos, atraia uma multidão de pessoas para si e durante os três anos de ministério fez muitos discípulos. Mas destes só escolheu doze para serem treinados para formar a igreja.
Aposto que vocês pensam que a igreja surgiu só no Pentecostes. Muitos pensam assim também. Mas se enganam porque o Senhor já vinha planejando isso desde o início. Por isso, selecionou doze homens simples para levarem adiante o trabalho após a sua morte, que eram: Simão Pedro e André –irmãos de sangue, os filhos do trovão – Tiago e João, Mateus – o publicano, Tomé – o duvidoso, Tadeu – também chamado Judas, Simão – o zelote, Tiago – filho de Alfeu, Bartolomeu – também conhecido como Natanael de Caná, Filipe e Judas Iscariotes – o traidor, que foi substituído por Matias.
No último ano do seu ministério, o Mestre começou a predizer a sua morte e ressurreição. Vocês sabem como os discípulos reagiram? Eles ficaram inquietos reprovando o Senhor Jesus. Entretanto, o Mestre os repreendeu, principalmente ao apóstolo Pedro, dizendo que isso deveria acontecer, pois fazia parte do plano de Deus. Foi aí também que o Senhor disse a Pedro: “tu é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
Depois disso vieram todos aqueles acontecimentos ruins e também a gloriosa ressurreição do Mestre. Meus irmãos, a alegria foi geral naquele dia. Após a triste cena da humilhação e tortura do Cristo, vem a notícia que o Senhor Jesus estava vivo e tinha aparecido a Maria Madalena e aos discípulos. Que pena que eu não tinha me juntado a igreja nesta época, mas, mesmo assim, quando ouvi o testemunho dos irmãos depois que me juntei a eles, fiquei muito feliz em saber que o Mestre era o Messias prometido por Deus para salvar aos judeus e aos gentios, conforme o profeta Isaías havia anunciado.
Antes de o Senhor subir aos céus ele disse aos discípulos: “Esperem que o Pai tem o tempo certo para começar a obra de que lhes falei, mas vocês receberão poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra”. Depois que ele ascendeu, adivinha o que aconteceu!?
Os irmãos ficaram reunidos esperando o sinal dos céus para começarem. Foi quando na festa de Pentecostes o Espírito Santo de Deus desceu sobre os irmãos que estavam reunidos e “todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas”. Então, todos os judeus que estavam perto dos irmãos começaram a ouvir a mensagem de Cristo na sua língua de origem, em grego, latim, em diversas línguas diferentes, e sentiram a presença de Deus, convertendo-se. E neste mesmo dia, em torno de três mil pessoas foram batizadas.
A partir desse momento eles começaram a se reunir no templo e nas casas e a partilhar do pão. Fazia parte do costume da igreja dividir os bens entre todos os que necessitavam – como fez o meu primo Barnabé e outros. Mas nem tudo eram flores, alguns irmãos não queriam ajudar as viúvas gregas e começaram a desprezá-las na hora de partilhar. Com isso, os apóstolos tiveram que escolher sete homens íntegros e tementes a Deus para fazer o serviço social na igreja, resolvendo os problemas e permitindo o crescimento da igreja.
Desses irmãos dois ficaram conhecidos por fazer mais do que distribuir o pão. Sabem quem foram? O primeiro foi o Ir. Estevão, “cheio da graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”, despertando assim a irá dos anciãos e dos escribas que o levaram ao Sinédrio para o julgarem por blasfêmia. Já pensou?! Entretanto, o Irmão não temeu e testemunho do Senhor Jesus, advertindo aos seus juízes da hipocrisia destes. Depois disso, não deu outra, ele foi levado para fora da cidade e apedrejado até a morte. A igreja passou a ser perseguida em Jerusalém a partir deste dia, sendo Saulo, que era fariseu, o seu algoz.
Outro irmão diácono de destaque foi Filipe – o evangelista, não o apóstolo – alguns confundem, mas estou aqui para esclarecer. Após o início da perseguição a igreja se espalhou, ficando somente os apóstolos em Jerusalém. Então, o Ir. Filipe foi para Samaria e lá começou a pregar a Mensagem do Senhor Jesus, a expulsar demônios e a curar os doentes. Houve um grande avivamento naquele local e a alegria foi geral.
Este irmão foi usado por Deus de tal forma que os apóstolos Pedro e João foram para lá testemunhar e orar pelos irmãos samaritanos para que eles recebessem o Espírito Santo. Houve grande salvação na terra dos judeus mestiços, que até então eram desprezados pelos judeus puros da Judéia.
Entretanto, Deus queria alcançar mais pessoas não judias. Mandou o mesmo Ir. Filipe para o deserto. Para o deserto?! O que ele iria fazer no deserto se o avivamento em Samaria era grande? Pois é! Ele foi enviado até lá para encontrar um homem etíope – que era eunuco e alto oficial da corte da Rainha Candace – e lhe falar sobre o Senhor Jesus. Depois ouvimos a notícia de que este mesmo homem não só aceitou a mensagem do Senhor e foi batizado, como também foi o grande instrumento de Deus para a salvação do povo etíope. Glória a Deus!
Depois disse aconteceu algo espetacular. Aquele perseguidor chamado Saulo, foi surpreendido pelo Mestre ressurreto no caminho para Damasco e aceitou a Mensagem do Senhor. Que coisa maravilhosa! O Saulo fariseu perseguidor passou a ser o Ir. Paulo missionário e apóstolo dos gentios. Maravilhoso!
Mas não foi fácil para o Ir. Paulo. No começo nenhum irmão queria a sua companhia ou chegar perto do até então algoz. O pobre Ir. Ananias só foi até ele porque o Senhor mandou e acho que foi receoso, mas o irmão era obediente e humilde. Esse isolamento de Saulo só terminou quando o meu primo Barnabé o acolheu e o levou em suas viagens missionárias.
Quando eu acompanhei os Irs. Barnabé e Paulo na primeira viagem deste, quem liderava o grupo era o meu primo. Eu me sentia até confortável em ter um parente querido me liderando. Mas com o destaque que o apóstolo Paulo passou a ter, ele assumiu a caravana e Barnabé passou a ser somente seu colaborador. Com isso, deixei o grupo. Eu ainda não tinha maturidade na época. Se fosse hoje com certeza isso não aconteceria mais. Não abandonaria os meus irmãos e nem causaria a separação deles no início da segunda viagem, mas “águas passadas não movem moinhos”. Prossigamos!
Deus ainda reservou algo extraordinário para o crescimento da igreja. Escolheu também o apóstolo Pedro, homem impetuoso, para ser o mensageiro do Senhor Jesus aos gentios e o fez comer toda a espécie de animal “impuro” para representar que “o que Deus purificou não era impuro”. Então, os apóstolos Pedro e Paulo foram comissionados para propagarem o Caminho, como era conhecida a Mensagem do Senhor, até os confins da terra.
Por isso, eu entendo, como participante direto da igreja no seu início, que a perseguição ajudou mais do que atrapalhou para que o Caminho chegasse a todos os povos. Hoje vocês, a quem falo, fazem parte da igreja graças ao cumprimento dos planos de Deus através da perseguição sofrida pela igreja em Jerusalém e em outros lugares através da história.
Além disso, deixo para vocês a mensagem de que a igreja é onde as pessoas necessitadas encontram o refúgio concreto do amor divino. Isso se dá através dos discípulos do Senhor Jesus que compõem a igreja contemporânea. Também deixo, que podem surgir e surgirão muitas perseguições, mas os planos de Deus para a salvação de toda a humanidade não serão frustrados. Amém?!
Obrigado pela atenção e paciência de vocês em lerem esta carta. Espero escrever-lhes mais vezes para contar um pouco mais das minhas experiências. Também clamo a Deus para que “a misericórdia, a paz e o amor sejam multiplicados” a todos vocês.

Um abraço aos amados irmãos,

Ir. Marcos
Evangelista e Discípulo do Senhor Jesus


* P.S.: Esta é uma obra de ficção sem qualquer intuito de formulação doutrinária ou de acrescentar uma nova revelação.

Comentários

Alessandro disse…
Eu que agradeço pela mensagem. Gostei muito do texto e da forma como foi escrito, quando o livro vier serei um de seus leitores e divulgadores.

Alessandro Vasconcelos (Igreja Batista El shadai, Fortaleza-CE)

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