SÍNTESE DO NOVO TESTAMENTO

Por João Marcos Bezerra

jmarcoscb@gmail.com

O Novo Testamento é o registro da nova aliança de Deus com o povo escolhido. O antigo pacto é representado pela Lei Mosaica e expressa a relação de santidade entre o Senhor e Israel. Já no Novo Testamento se vê a expressão da graça e o amor de Deus para com a Igreja através de Jesus Cristo, que é o Messias, o Servo, o Filho do Homem e o Verbo de Deus, conforme apresentado nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, respectivamente.

Este testamento é composto de 27 (vinte e sete) livros divididos em 5 (cinco) livros históricos (Evangelhos e Atos), 21 (vinte e uma) epístolas (Cartas Paulinas e Gerais) e 1 (um) profético (Apocalipse).

A revelação do cumprimento da promessa de um redentor e salvador para o mundo do Antigo Testamento estão contidas neste grupo de livros.

“Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão” (Mt 1.1) é como se inicia o evangelho de Mateus, o primeiro livro do Novo Testamento do atual cânon. Juntamente com os outros 3 (três) evangelhos narram alguns fatos do nascimento (com exceção do livro de João), da infância (somente no evangelho de Lucas) e do ministério de Jesus Cristo. Apesar de somente os 4 (quatro) primeiros livros contarem os fatos da vida de Cristo, todo o Novo Testamento aborda a pessoa Dele em diversos aspectos, tendo como tema principal a Salvação da humanidade.

A ordem da história da nova aliança vai da promessa e nascimento de João Batista, aquele que antecede o Messias, à revelação da segunda vinda de Cristo, passando pelo cumprimento da profecia e nascimento do Salvador, seu crescimento, ministério, traição, crucificação, ressurreição e ascensão, pela formação da igreja e o espalhar da mensagem do Reino através dos discípulos.

Na formação da “Eclésia” se pode destacar a influência das epístolas, pois Jesus prega e ensina e as cartas explicam e esclarecem os ensinamentos Dele, doutrina. Os autores destes livros são: Paulo com 13 (treze) unidades, Tiago e Judas com 1 (uma) cada, Pedro com 2 (duas) e João com 4 (quatro) incluindo Apocalipse.

Para o livro de Hebreus prevalece o pensamento de que o autor é desconhecido, mas alguns estudiosos apontam para a autoria de Paulo e outros para Lucas. Porém, não há comprovação interna ou externa que confirmem estes pontos.

Apesar de o Novo Testamento começar com o evangelho de Mateus, os estudos de igreja. Esta carta adverte aos cristãos sobre as conseqüências destrutivas da fé morta e inativa e os motiva para galgar a verdadeira maturidade espiritual; além de abordar as destrutividade da língua, membro humano. A autoria é de Tiago, irmão do Senhor Jesus e líder da igreja em Jerusalém. A pessoa de Cristo é bem especificada e também anunciada o Seu retorno.

Alguns anos após a carta de Tiago, o apóstolo Paulo escreve a sua primeira epístola: aos Gálatas. A sua mensagem refuta o falso evangelho das obras e demonstra a superioridade da justificação pela fé e a santificação do Espírito Santo. Cristo é mencionado como aquele que liberta da maldição da lei, do poder do pecado e do próprio homem através do poder da cruz.

Logo após, chega os evangelhos de Marcos e Mateus. Ainda há indefinições sobre a data exata de cada um, mas atualmente prevalece a teoria de que foram escritos quase no mesmo período. Apesar dos dois livros abordarem os mesmos fatos, na sua maioria, de Cristo, no evangelho de Marcos prevalece a visão de Cristo como servo, mostrando os feitos do Senhor. Já em Mateus, Jesus surge como o Messias, o cumprimento profético do Antigo Testamento, iniciando com a sua linhagem e citando várias passagens dos escritos.

Em relação a autoria desses dois livros, não há comprovação interna nos livros, mas os eruditos e estudiosos da igreja primitiva relacionavam o evangelho de Marcos ao jovem João Marcos, primo de Barnabé, discípulo de Pedro, e o de Mateus ao apóstolo ex-publicano também conhecido como Levi.

Em seguida a esses dois livros, Paulo escreve as cartas aos tessalonicenses (I e II). O tema dessas duas cartas é a segunda vinda de Cristo como esperança diante da perseguição que a igreja local sofria, esclarecendo sobre o destino dos cristãos mortos e acerca do “dia do Senhor”. Além disso, o apóstolo também inspira e instrui os irmãos.

Alguns anos após, chega a carta paulina de I Coríntios que aborda as aplicações da nova vida em Cristo, respostas a problemas na igreja local (divisão, confiança na sabedoria humana e do mundo, imoralidade) e acerca de casamento, divórcio, comida, adoração, dons espirituais e ressurreição. II Coríntios vêm depois para defender a autenticidade do apostolado e da mensagem de Paulo. Jesus é apresentado nessas epístolas como essência, fonte e meio da vida cristã; além de ser o consolo, triunfo, Senhor, liberdade para viver uma vida nova, luz, juiz, reconciliação, dom, dono e poder.

O livro aos Romanos é escrito por volta de 57 (cinqüenta e sete) e 58 (cinqüenta e oito) d.C. Aqui não há intenção de apontar problemas específicos na igreja local, mas de ensinar sobre a justificação, santificação e glorificação dos crentes, os efeitos do evangelho sobre a lei e a posição dos judeus ante a Nova Aliança. O Senhor aparece neste momento como o segundo Adão.

O terceiro evangelho, Lucas, aparece para instruir os gentios na história do Salvador. O tema apresenta à Jesus Cristo como o Filho do Homem, o homem perfeito escolhido, provado e qualificado para ser o Salvador. Este livro foi escrito por um médico gentio que era discípulo e companheiro de Paulo. O autor também escreve o livro de Atos dos Apóstolos, que tem o propósito de expor a história da formação e consolidação da Igreja. Os evangelhos e Atos formam o fundo histórico para os demais livros do Novo Testamento.

Ainda no mesmo período Paulo escreve as Epístolas da “Prisão”, que foram escritas durante o seu cárcere em diferentes lugares (quartel romano, cadeia com um soldado romano ou em sua própria casa em Roma). Estas cartas são Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom.

O tema de Efésios é a apresentação da Igreja como o Corpo de Cristo, a Cristo como cabeça da igreja e os crentes como membros do corpo. Além disso, também trata das responsabilidades de cada membro e d a luta contra Satanás.

Em Filipenses se vê a aplicação prática da carta aos Efésios. Também protege contra o erro de não praticar a unidade de Cristo e de não se alegrar nas bênçãos e na posição em Cristo. É importante frisar que a carta tem uma abordagem bem pessoal do apóstolo, pois havia uma relação afetiva grande dele com os irmãos desta igreja.

Já aos Colossenses apresenta o poder frutífero da mensagem do evangelho, proclamando a supremacia, autoridade e suficiência de Cristo para a Igreja. É na cidade de Colossos que se encontra o personagem Filemom. Homem importante que reunia a igreja local em sua casa. É a ele quem o Apóstolo dirige a sua quarta Epístola da “Prisão”.

A epístola de Filemom ensina que o amor cristão é prático e mostra o poder que tem o evangelho para mudar a vida; além de expressar gratidão a Filemom pelo auxílio e apoio prestados. O receptor da carta é a ilustração de Cristo ao perdoar o erro causado pelo seu servo.

Algum tempo depois, o apóstolo Pedro escreve a sua primeira obra, tendo como centro o problema do sofrimento diante da perseguição pela fé em Cristo. Porém, há outros propósitos nesta carta.

Ainda nesse mesmo período, a primeira carta à Timóteo é publicada e tem por objetivo animar a Timóteo, discípulo de Paulo e pastor da igreja em Éfeso, para o ministério, dá compreensão bíblica contra os ensinos dos falsos mestres, sobre a conduta da igreja na adoração, das qualidades dos líderes, da conduta apropriada e adverte contra os males do materialismo. Cristo é revelado como fonte do chamado, força, fé e amor ao ministério e único mediador entre Deus e o homem.

Em sequência Paulo escreve à Tito, seu discípulo e pastor da igreja em Creta, instruindo o pastor acerca das correções para estabelecer corretamente a igreja, sobre o enfrentamento à oposição e nos assuntos de fé e conduta; além de dar autorização pessoal para Tito ministrar à igreja. Neste livro Cristo é apresentado em Sua divindade e obra redentora.

Não se sabe ao certo qual o período exato da escrita de Hebreus, mas se crê que foi entre a composição de I e II Pedro. A carta aos Hebreus tem o propósito de apresentar para os judeus a supremacia de Cristo em relação aos líderes e seres celestiais do Antigo Testamento (os profetas, os anjos, a Moisés, a Arão e a Josué).

Possivelmente no mesmo período que a carta anterior, conforme exposto acima, o livro de II Pedro chega aos crentes com o intuito de advertir contra os perigos enfrentados pela igreja. Cristo é apresentado como fonte da vida e piedade e Senhor e Salvador do mundo.

No fim da vida de Paulo é escrito a segunda carta ao pastor Timóteo. Ela aconselha a Timóteo a sustentar a sã doutrina, a defendê-la, a sofrer como bom soldado e revela que os dias se caracterizarão pela apostasia. Nesta epístola se vê a doutrina da pessoa e da obra de Cristo como o coração de todo ministério e da habilidade de permanecer Nele. Percebe-se também a tonalidade triste do apóstolo neste livro diante da certeza da morte.

A última epístola antes dos escritos do apóstolo amado João é de Judas, irmão de Tiago e filho de Maria, que traz uma mensagem apologética à igreja, pois o gnosticismo estava infectando e corrompendo o povo a cultivar práticas imorais. Com isso, aconselha os crentes a permanecerem firmes, crescendo na fé e combatendo os falsos ensinos com a Verdade. Cristo é apontado como o foco e segurança do crente diante da esperança do Seu retorno e vida eterna.

Em meados dos anos 85 (oitenta e cinco) e 90 (noventa) d.C., o apóstolo João escreve à igreja as suas 4 (quatro) cartas, dentre elas o Evangelho. Este livro aborda a história da vida de Jesus Cristo, Emanoel, de forma a apresentá-lo como o Filho de Deus encarnado ou a Palavra viva de Senhor. Por isso, os sinais mostrados no livro revelam a missão e vida de Jesus com o intuito de levar as pessoas a crerem que Ele é o Salvador.

Em seguida João escreve a primeira epístola (I João) “para definir a natureza da comunhão com Deus a que ele descreve como Luz, Amor e Vida”. O enfoque de Cristo neste livro está “na obra presente do Salvador na vida dos crentes”. É importante observar que o apóstolo também tem a intenção de alertar sobre os falsos ensinos do gnosticismo, assim como Judas.

Logo após, a carta de II João é enviada a “mulher eleita”. Alguns acreditam que essa mulher era um destinatário específico; já outros estudiosos apontam essa eleita como a igreja de uma forma geral. Porém, o mais importante é a mensagem revelada de aguçar o interesse dos leitores em andar pela fé da doutrina e segundo os mandamentos. Assim como na carta anterior, João busca defender nesta epístola a doutrina da encarnação de Cristo combatida pelos gnósticos. Também se pode dizer que esta é o menor livro da Bíblia em número de capítulos, somente 1 (um), e versículos, 13 (treze) ao todo.

A carta de III João é escrita em sequência a Gaio para contrastar a “generosidade do amor cristão” ao contribuir com o ministério, revelado na pessoa do receptor da carta, e o egoísmo de Diotréfes. Com isso, busca instruir e animar o sustento dos obreiros cristãos por parte do povo de Deus. Neste livro não há menção do nome de Jesus Cristo, mas o termo o Nome (1.7) referência a Ele como sendo o motivo pelo qual os obreiros saem ao campo.

Por fim, chega o último livro do Novo Testamento: Apocalipse, que tem como tema a revelação do Dia do Senhor, o conflito entre o bem e o mal, a perseguição à igreja na tribulação, a vitória divina sobre Satanás, o milênio e a eternidade (novos céus e nova terra). Neste livro é revelada a plenitude de Cristo em glória e majestade, sendo Ele o princípio e o fim de toda a criação, o Cordeiro, o Leão da Tribo de Judá, a estrela da manhã e soberano sobre toda a terra. Com isso, esta revelação apresenta a consumação bíblica, a revelação final e plena do Messias profetizado no Antigo Testamento e enviado no Novo Testamento e exposição conclusiva do Plano de Salvação de Jeová para a humanidade através dos judeus e da Igreja de Cristo. Amém!

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