SINTESE DO ANTIGO TESTAMENTO

por João Marcos Bezerra

jmarcoscb@gmail.com

O conceito religioso da palavra testamento “é a aliança de Deus com o homem, quer feita através de Abraão (promessa) e Moisés (lei) – Antigo Testamento -, quer através de Jesus Cristo – o Novo Testamento” (Dicionário Aurélio). No estudo em questão será abordada a aliança referente ao pacto mosaico em 39 (trinta e nove) livros, divididos em Pentateuco (os livros da Lei), Históricos, Poéticos e Profetas (subdivididos em Maiores e Menores). Estes livros discorrem os fatos históricos da criação do mundo ao retorno do remanescente de Israel.

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Este verso representa o início da criação do mundo. No livro de Gênesis se encontra a primeira família criada, através de Adão e Eva, por quem há a queda ao pecado da desobediência a Deus; a trajetória pecaminosa humana, que leva ao dilúvio onde só a família de Noé sobrevive por meio da arca; o retorno a desobediência, a exemplo da Torre de Babel, e a diversificação das línguas; a escolha de um povo para a salvação do mundo, através da descendência de Abraão e Sara (mulher que era estéril), casal por meio de quem o Senhor forma uma grande nação; o cumprimento da promessa em Isaque e Rebeca; a escolha do filho mais novo deste casal, Jacó, para ser o pai das 12 (doze) tribos de Israel (este foi o nome dado por Deus a Jacó, significa vencedor, enquanto o anterior quer dizer enganador).

A partir da família de Jacó se revela o cumprimento da promessa do Senhor a Abraão (Gn 12.1,2). Por meio daquele se conhece quem acudiria no Egito os filhos de Israel, José, e permitiria que eles se multiplicassem para ocupar a Terra Prometida; a linhagem sacerdotal, tribo de Levi; e, o ascendente de Jesus Cristo, Judá.

Durante o período no Egito os israelitas passam pela escravidão, pois o novo Faraó não conhece a José. Com isso, Deus levanta um libertador, Moisés, que se encarrega de levar o povo escolhido para a Terra Prometida, Canaã. Antes do êxodo eles buscam a liberação do Faraó, que só o faz após as 10 (dez) pragas. Durante a jornada, auxiliado pelos irmãos Arão e Miriam, Moisés passa por diversas provas: a perseguição dos egípcios até morrerem afogados no Mar Vermelho; a contestação da sua autoridade e a desobediência a Deus pelo povo; a rebelião dos próprios irmãos; e, o longo período no deserto, 40 (quarenta) anos.

Nos livros de Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio se lê toda a trajetória dos hebreus no deserto, da saída do Egito até a chegada no lado leste do Rio Jordão, depois de passar pelo deserto do Sinai. Neste complexo de livros encontramos as leis e os estatutos do Senhor para o seu povo, que deveria ser o canal de salvação da humanidade. Em Levíticos se encontra a declaração das leis e estatutos para uma vida de santidade. Já em Números, além do censo, apresenta-se a história de quase toda a peregrinação. E em Deuteronômio é abordada a releitura da lei para o povo, como forma de relembrá-los do pacto do Senhor.

Após esse período no deserto, é chegada a hora de tomar posse da promessa. Josué é escolhido por Deus para ser o sucessor de Moisés. É o momento de conquistar e destruir o povo que ocupava a terra.

Na primeira cidade, Jericó, os espias conhecem a Raabe, que ajuda os israelitas e se torna parte do povo e da genealogia de Cristo. Nas demais cidades há perdas por desobediência e conquistas pela mão misericordiosa do Senhor, mas a posse é garantida.

Depois que muitas cidades são conquistadas, chega o momento de repartir a terra. Calebe, um remanescente da geração anterior por sua fidelidade a Deus, é o primeiro a receber a sua herança, e depois as demais tribos e clãs. Mesmo em meio a tantos combates e batalhas, ainda há cidades que não foram conquistadas, ficando a cargo de cada tribo conquistar o que falta.

Após a morte de Josué, o povo passa por um período obscuro, pois não há um líder instituído e Deus é o governante direto. Mas a nação abandona a liderança do Senhor e escolhe outros deuses para venerar. Com isso, eles são submetidos ao castigo da desobediência e conhecem a opressão de nações inimigas. Entretanto, o Todo Poderoso não abandona o Seu povo e levanta libertadores, também conhecidos como juízes, são eles: Otniel, que derrota os mesopotâmios; Eúde, os moabitas; Sangar, que vence os filisteus; Débora e Baraque, que derrotam os cananeus; Gideão, que vence os midianitas e recebe a proposta de ser rei sobre Israel; Abimeleque, que usurpou a liderança do povo e matou seus irmãos, não sendo considerado um juiz; Tola e Jair, pouco se sabe destes; Jefté, líder de um bando de malfeitores que liberta o povo dos amonitas; Ibsã, Elom e Abdom, que também pouco se sabe deles, apenas que Ibsã e Abdom têm grandes posses; Sansão, que é o herói da época e enfrenta os filisteus; e Eli e Samuel, que aparecem somente nos livros seguintes.

Também nesse período, encontra-se os fatos de perversidade do povo, onde “cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21:25); além da quase destruição da tribo de Benjamim. Porém, uma moabita, Rute, se destaca por sua fidelidade a sogra, Noemi, e ao deus da sogra, Jeová, e se torna parte da genealogia do Senhor Jesus.

No fim desse momento histórico, encontra-se a personagem Samuel, filho de Elcana e Ana (mulher que era estéril), criado pelo sacerdote Eli. Esse personagem marca a história pela sua fidelidade a Deus e por ser o protagonista da transição do juizado para o reinado, não por escolha, mas a pedido do próprio povo. Com isso, os israelitas escolhem a Saul, homem atraente que se desvia do Senhor e é rejeitado, levando a escolha de outro rei por Deus: Davi, filho mais novo de Jessé.

A partir do reinado de Davi, Israel começa a prosperar e a se tornar uma grande potência mundial. Muitas batalhas são travadas com outros povos, principalmente os filisteus, e Joabe se destaca como general aliado do rei. Todavia, o rei comete vários erros, dentre eles: o adultério com Bate-seba, de quem nasceu Salomão; o assassinato de Urias, esposo de Bate-seba; e, a passividade ante aos atos dos filhos Amom, que estupra a sua própria irmã, e Absalão, que tenta usurpar o trono. Natã é o profeta de destaque no reinado de Davi por exortar o rei nas falhas cometidas. O rei Davi também se destaca por grandes composições que integram o livro de Salmos.

Após a morte de Davi, Salomão ocupa o trono e se torna um rei sábio e rico. Todo o mundo conhece a esse rei e o busca para consultar sua sabedoria. Neste período o rei compõe inúmeros provérbios que formam o livro de mesmo nome e o grande poema matrimonial: Cântico dos Cânticos. Porém, em sua velhice ele se desvia do Senhor, seduzido pelas suas 700 (setecentas) mulheres e 300 (trezentas) concubinas (I Rs 11.3). Esse desvio, que é descrito de forma poética no livro de Eclesiastes, leva a Deus a tomar a decisão de tirar o reino da descendência de Salomão. Mas o reino é dividido, ainda ficando 2 (duas) tribos, para a genealogia de Davi, devido o amor que o Senhor tinha por este. Com isso, após a morte de Salomão, Roboão assume e 10 (dez) tribos são entregues a Jeroboão.

No período após a esses grandes reis de Israel, Davi e Salomão, a nação, agora dividida em Reino do Norte, Israel, e Reino do Sul, Judá, passa pelas mãos de vários reis maus e se prostitui com Baal. Os principais pivôs dessa prostituição são o rei Acabe e sua esposa Jezabel, que transformam o reino do Norte, Israel, numa nação completamente idólatra, de forma que abandonam as leis e estatutos do Senhor.

Nesse momento Deus levanta dois grandes profetas, primeiro a Elias e posteriormente, como sucessor, Eliseu. O primeiro, apoiado pelo Senhor, enfrenta e derrota os 450 (quatrocentos e cinqüenta) profetas de Baal e ordena a morte de cada um deles. Ele também se destaca por não ter conhecido a morte, devido a sua grande fidelidade a Deus. O sucessor também se destaca por sua firmeza e feitos milagrosos diante do povo. A mensagem deles é de reforçar aos compatriotas que a infidelidade dos líderes e do povo leva a ruína.

Porém, nem só de maus reis vivem os judeus. Josias surge na história de Judá como o restaurador da adoração e culto a Jeová e Ezequias como um líder fiel a Deus. Enquanto isso, a nação do Norte é governada somente por homens ímpios e termina sendo levada cativa pela Assíria. Entretanto, devido aos reis justos, Judá se mantém livre por mais tempo, mas também é levada para o cativeiro, agora pela Babilônia.

Durante todo o período dos reis diversos profetas, além de Elias e Eliseu, levantam-se para revelar ao povo as Palavras de Jeová, são eles: Isaías, profeta em Judá que revela a iminência do cativeiro e a promessa do messias; Jonas, Amós e Oséias, profetas em Israel antes do exílio; Obadias, Joel, Miquéias, Naum, Sofonias e Habacuque, profetas em Judá antes do exílio; Jeremias, profeta em Judá antes e durante o exílio, também conhecido como o profeta chorão escritor de Lamentações; e, Ezequiel e Daniel, profetas no cativeiro babilônico.

Durante o exílio os fatos do povo se revelam na história de Daniel, que se torna homem de grande importância no reino da Babilônia, e de Ester, judia que se casa com o rei persa Assuero e acaba com a repressão aos judeus. Já Esdras e Neemias, escritos também durante o cativeiro, contam o regresso do remanescente a Jerusalém. E os profetas enquadrados nesse período de retorno são Ageu, Zacarias e Malaquias, que reforçam a necessidade da obediência a Deus para a continuidade da integridade nacional.

No decorrer do Antigo Testamento se observa o propósito e o plano de salvação de Deus para a humanidade, a manutenção da Sua palavra e, mesmo com a idolatria e o cativeiro, a manutenção da integridade do remanescente de Israel. Isso se dá para que a revelação da promessa se cumpra em Jesus Cristo, o Messias.

Com isso, pode-se ver a revelação do Redentor durante todo o testamento. A criação de Adão, a morte de Abel, o rei de Salém – Melquisedeque, a traição dos irmãos e a libertação deles por meio de José, as festas e os sacrifícios instituídos, a função do Sumo-sacerdote no Tabernáculo, os fatos que acompanharam os hebreus no deserto e a pessoa de Moisés, Josué, os juízes, Samuel, Davi, Salomão e sua fama e sabedoria e Neemias e sua disponibilidade de deixar uma alta posição para cumprir a obra de Deus, são representações personificadas das características do Messias. Além disso, os profetas Isaías e Miquéias abordam o caráter do Cristo com mais detalhes, trazendo outras informações não observadas anteriormente.

Por fim, pode-se definir o Antigo Testamento como a Promessa de Salvação de Deus para toda a humanidade a partir dos judeus. Esta promessa se concretiza em Jesus Cristo que é revelado no Novo Testamento ou Nova Aliança do Senhor.

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