NEEMIAS: REAÇÃO E AÇÃO

Por João Marcos Bezerra

jmarcoscb@gmail.com

Texto Base: Ne 1.1-2.10

Como é de costume, inicialmente iremos fazer uma contextualização do período mencionado no texto base de Neemias. O livro é o último do grupo histórico do A.T. e conta um dos fatos ocorridos no retorno dos judeus a Jerusalém – da reconstrução do templo (com Zorobabel e Esdras) à dos muros (com Neemias), principalmente este último.

Neste período boa parte da região do Eufrates estava sob o domínio Persa, na pessoa de Artaxerxes. Este era filho de Assuero, que era esposo da judia Ester (Et 2.17), isto é, Artaxerxes era enteado desta. Com isso, podemos entender a benevolência do rei persa para com os judeus. Além disso, destacamos também que o templo de Jerusalém havia sido reconstruído há setenta anos, mas devido à oposição na região não conseguiram completar a reforma na cidade (Ed 4.6,7).

A vida de Neemias tem um apanhado de “lições sobre oração, sacrifício e tenacidade” (Shedd), pois ele se mostrou como um servo de Deus deve agir nas circunstâncias críticas. A reação mediante a notícia e ação proposta por ele para solucionar a crise do seu povo são exemplos para nós hoje.

Neemias era copeiro do rei Artaxerxes, lugar de destaque e confiança na corte. Chegou a este posto sem perder as suas raízes e convicções, pois era servo do Senhor, como demonstrado durante a leitura do livro. Ele era irmão de Hacalias, que fora a Jerusalém e trouxera notícias desagradáveis quanto à situação do povo ali: “Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas.” (1.3).

Diante das informações obtidas o copeiro se compadece, chora e lamenta por alguns dias (1.4). Esta foi a segunda reação dele, porque a primeira foi a busca das informações, aproveitando o retorno da caravana do irmão, mostrando interesse e reconhecimento pelas necessidades dos seus.

Durante o período de lamento Neemias não se prendeu só a isso e agiu simultaneamente. Buscou uma forma de solucionar o problema dos que estavam em Jerusalém e jejuou e orou perante o Deus dos céus. Com esta atitude ele reconheceu os pecados cometidos pelos judeus (o que os levou ao cativeiro), pediu perdão por eles (se colocou na brecha pelo povo), relembrou as promessas de Jeová quanto ao seu povo ante ao arrependimento (usou o texto de Dt 30.1-5) e pediu graça diante do rei para apoiar na empreitada.

Com isso, podemos extrair como lições os seguintes aspectos:

1. Devemos ser solidários para com o povo de Deus tomando uma postura reacionária;

2. Devemos mostrar interesse indagando sobre o estado da igreja no mundo (1.2);

3. Devemos demonstrar compaixão e misericórdia, reconhecendo as necessidades de cada um (1.4);

4. Devemos orar, levando a Deus os problemas e necessidades e esperar Nele a solução (1.5-11);

5. Devemos confessar nossos pecados, reconhecendo o motivo que nos levou à crise (v. 7).

Todavia, é necessário reforçar neste episódio a conduta de Neemias na oração. Ele não tinha culpa quanto ao acontecido em Judá que culminou no cativeiro, mas reconheceu a crise geral, o motivo que a gerou e, acima de tudo, colocou-se a disposição para resolvê-la.

Então, aprendemos também que em situações de crise devemos, acima de tudo, levá-la ao Senhor em oração, reconhecendo que ela existe (pois muitas vezes tentamos escondê-la), entendendo o motivo que a gerou (sem isso podemos revivê-la) e dispondo-se a resolvê-la conforme a orientação do Senhor.

Porém, não é só isso, Neemias esperou a resposta por quatro meses (mês de quisleu = novembro/dezembro e mês de nisã = março/abril), assim também nós devemos esperar, pois a solução virá no tempo e meios certos. E ainda reforço a necessidade de nos planejarmos durante o período de oração e espera.

Observe que quando o rei indagou a tristeza do copeiro (2.2) e o deu a oportunidade de pedir auxílio real (2.4) foi exposto um plano de ação para a reconstrução da cidade. Todas as supostas oposições durante a viagem e os materiais necessários foram colocadas diante do rei que as concedeu. “Porque a boa mão do meu Deus era comigo” (Nm 2.8b) – reconheceu Neemias.

Por fim, a lição de solidarização, oração, paciência, planejamento e reconhecimento de Neemias deve ser entendida e aplicada por nós, no intuito de desfrutarmos dos resultados maravilhosos da obra que nos foi confiada, pois mesmo em meio à crises devemos nos voltar para Deus pedindo em oração e esperar a Sua sábia resposta. Amém!

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