GÊNESIS: UMA VISÃO GERAL

Por João Marcos Bezerra
jmarcoscb@gmail.com
(Baseado na revista Atitude – JUERP, Análises da Bíblia Shedd e Manual Bíblico Halley)


Exposição Geral do Livro
Como todos sabem o livro de Gênesis é o livro do princípio das coisas. É dividido em duas partes: A História da Criação e A História dos Patriarcas.
Segundo Shedd, o autor oferece dez histórias, algumas delas sendo apresentadas de forma breve e condensada. São elas: O Princípio, Adão, Noé, Os Filhos de Noé, Os Descendentes de Sem, Abraão, Ismael, Isaque, Esaú e Jacó (incluindo a história de José, Judá e outros).
Já Halley, traz o livro desmembrado em onze documentos, que são os seguintes: O Hino da Criação (1.1-2.3), O Livro das Gerações dos Céus e da Terra (2.4-4.26), O Livro das Gerações de Adão (5.1-6.8), As Gerações de Noé (6.9-9.28), As Gerações dos Filhos de Noé (10.1-11.9), As Gerações de Tera (pai de Abraão, Naor e Harã, pai de Ló – 11.27-25.11), As Gerações de Ismael (25.12-18), As Gerações de Isaque (25.19-35.29), As Gerações de Esaú (36.1-43), As Gerações de Jacó (37.2-50.26).
Vejamos que a única diferença entre as duas divisões é que Halley inclui o Livro das Gerações dos Céus e da Terra, onde encontramos a formação do homem e da mulher, queda do homem e primeiro homicídio. Também é importante salientar que esses registros são de famílias da linhagem escolhida por Deus e de famílias aparentadas, cobrindo os primeiros milênios da história da humanidade, que vai desde a criação do homem ao estabelecimento do povo escolhido de Deus no Egito.
Em relação ao autor, ninguém pode afirmar com absoluta certeza que Moisés foi o seu autor ou que outro venha a ter escrito este livro. Segundo antiga tradição hebraica cristã, Moisés, dirigido por Deus, compôs o Gênesis baseando-se de antigos documentos existentes em seus dias, pois ele nasceu, mais ou menos, 300 anos depois dos últimos acontecimentos do livro.
O livro de Gênesis é a base para os escritos dos livros de Êxodo a Deuteronômio. Todas as evidências indicam que Moisés é o autor, confirmadas por Jesus no Novo Testamento (Jo 5.46,47; Lc 16.31, 24.44).

Temas Específicos
• Criação:
Antigas civilizações elaboravam as suas próprias teorias de criação do mundo, das espécies e da humanidade. Gênesis narra a versão hebréia, apesar de poemas épicos, de várias formas, foram achados em anos recentes nas ruínas da Babilônia, Nínive, Nipur e Assur, estes bem parecidos com os textos bíblicos. Mas as outras civilizações traziam uma Mitologia pagã que considerava o sol um deus, a lua uma deusa, animais e homens como deuses, o que é mostrado na Bíblia como tudo isso é apenas criação do Único Deus.
No 1º dia (1.2-5): “Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (1.3). Acrescentando que “a palavra dia, principalmente no verso 5 e outros, tanto poderá significar o período de 24 horas como também toda uma era geológica de extensão indefinida (assim alguns admitem)” – diz Shedd.
No 2º dia (1.6-8): “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas…E chamou Deus ao firmamento Céus…” (1.6,8). Este céu “significa atmosfera ou camada de ar, entre a terra coberta d’água e as nuvens (formadas de vapor d’água)” – considera Halley.
No 3º dia (1.9-13): “Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca… E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie…” (1.9,11). Interessante observar que o termo segundo a sua espécie limita a reprodução de plantas, animais e até do homem, mostrando que não há compatibilidade com a teoria da evolução de Darwin.
No 4º dia (1.14-19): “Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite… Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas.” (1.14,16). Não precisa dizer aqui que estamos falando do sol, da lua e das estrelas. Só!
No 5º dia (1.20-23): “Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus.” (1.20). Notemos aqui que inicia o processo da criação do “Reino Animal”. No 3º dia foram as plantas. Também é interessante mostra que no verso 22 (“multiplicai-vos”) mostra que a fertilidade é uma graciosa extensão do poder de Deus a suas criaturas, não algo divino, como algumas religiões do AT entendiam.
No 6º dia (1.24-31): “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie; animais domésticos, répteis e animais selvagens… Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.” (1.24,26). Perceba que o homem (ser humano) foi o último a ser criado, pois a terra foi criada para a sua moradia.
No 7º dia (2.1-3): “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou…” (2.2,3). “O descanso de Deus, no sétimo dia, compreende a cessação do trabalho criador e a satisfação em face do que tinha sido realizado” – observa Shedd.
• A Queda do Homem (3.1-24):
Aqui temos a história da serpente (3.4,5), a mulher (3.4,6), o fruto da árvore que está no meio do jardim (observa-se que não existe citação do tipo de fruto da árvore – 3.3,6), o homem (3.6), a descoberta e vergonha da nudez (3.7,8), o questionamento de Deus (3.9,11,13) e a expulsão do jardim (3.23,24).
A partir daqui muitos outros fatos, que marcaram e marcam a história, por causa da desobediência do homem, ocorreram: O Primeiro Homicídio (4.8-16), Corrupção (6.1-7), A Torre de Babel (11.1-9) e a demonstração da misericórdia divina através da Vinda do Seu Filho Jesus Cristo (Evangelhos).
Baseado nisso vêm várias perguntas: Por que Deus fez o homem com capacidade de pecar? Mas Deus não sabia que o homem haveria de pecar? Porque Deus deixou que isso ocorresse?
Primeiro, a liberdade é um dom de Deus dado a nós, mesmo que o homem use essa liberdade para desobedecer a Ele. Segundo, Deus sabia que isso aconteceria, pois ele é Onisciente. Terceiro, porque Ele nos deu o livre arbítrio para fazer o que desejarmos, porém, a Bíblia informa: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm…” (I Co 6.12a, 10.23a); “Sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas.” (Ec 11.9c). “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (II Tm 3.16,17).
• Os Patriarcas (6.8-50.26)
Homens que se destacaram por sua fidelidade e temor a Deus:
1) Noé (6.8-9.29): “Porém, Noé achou graça diante do Senhor” (6.8).
Este marca a perpetuação da humanidade após o dilúvio. Pai de Sem, Cam e Jafé. Também considerado o primeiro engenheiro (6.14-16). Com ele, é importante ressaltar, que Deus fez uma aliança (9.1-19), onde vemos que é permitido comer animais (9.3,4), derrubando doutrinas heréticas vegetarianas.
2) Abraão (11.27-25.11): “Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação…” (12.1,2).
Conhecido como pai de uma grande nação, Abraão, pai de Ismael e Isaque gerados por Sara e, de Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá gerados depois por Quetura; foi exemplo de obediência ao oferecer seu filho Isaque em sacrifício (22.1-19), atendendo a ordem de Deus.
Também, recebeu pão e vinho de Melquisedeque (14.18-24), rei e sacerdote de Salém. Este é mencionado apenas 3 vezes na Bíblia (além desse texto em Sl 110 e Hb 5-7) e comparado a Jesus como sacerdote.
3) Isaque (25.19-27.46): “… lhe apareceu o Senhor e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo; abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência por amor de Abraão, meu servo.” (26.24).
Temos pouco a falar sobre este patriarca, apenas citar que ele imitou o pai em enganar a Abimeleque (20.1-18; 26.1-35).
4) Jacó (28.1-50.26): “Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.” (32.28).
O livro de Gênesis é ocupada com quase a metade dos capítulos contando a história de Jacó (este nome significa ladrão), que depois passa a se chamar de Israel (Vencedor), incluindo a história de José. Ele é pai de 12 filhos e 1 filha registrados na Bíblia, aqui apresentamos por ordem de nascimento (29.32-30.24, 35.16-22): Rúben, Simeão, Levi e Judá, Dã e Naftali, Gade e Aser, Issacar, Zebulom e Diná, José e Benjamim.
Podemos observar alguns fatos da história de Jacó bem relevantes, como: Comprou a primogenitura do irmão (25.27-34); Serviu 14 anos a Labão, 7 por Lia e 7 por Raquel (29.18,30); A visão da escada (28.10-17); A luta de Jacó com Deus no ribeiro de Jaboque (32.22-32)
5) José (37.2-36, 39.1-45.28): “Ora, Israel amava mais a José que todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice…” (37.3).
Deste patriarca, conhecemos que foi vendido pelos irmãos (37.2-36); viveu na casa de Potifar e foi preso por causa da mulher do oficial do Faraó (39); interpretou alguns sonhos, inclusive o do Faraó (40.1-41.36); é posto como governador do Egito (41.37-57); e, leva a casa de Israel ao Egito (46.1-47.12).

Com toda essa exposição feita sobre o livro de Gênesis passamos a conhecê-lo, não só como o livro do Princípio de tudo, mas como a história dos 5 primeiros patriarcas e a base para os livros da Lei de Moisés.
A Deus toda honra, glória, poder e louvor! Amém!
Deus abençoe a todos!!!

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