DESAFIANDO GIGANTES

Por João Marcos Bezerra
jmarcoscb@gmail.com
Texto Base: I Samuel 17.1-11,24-37
(Baseado no filme “Desafiando Gigantes”)

O texto de I Sm 17.1-11 relata o desafio de Golias contra os israelitas. E em I Sm 17.24-37 é observado a reação do povo e, principalmente, a atitude de Davi perante este desafio. Com esta leitura é possível realizar algumas análises:
1) O povo de Israel não estava preparado para encarar os desafios;
2) O povo não se lembrava de Deus e de tudo o quanto o Senhor tinha feito até àqueles dias;
3) Se o povo não se lembrava, muito menos confiava em Deus;
4) Davi era o único que conhecia e acreditava no Todo-poderoso, por isso, antes desse acontecimento, foi ungido rei (I Sm 16.1-13).
Neste momento se observa uma situação em que o povo se depara com um “monstro” amendrotador, algo que talvez não estivessem acostumados a ver, que desafiava os israelitas a enfrentá-lo homem a homem.
Isso despertou um sentimento muito comum nas pessoas, que pode ser definido como sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça; susto, pavor, temor, terror, comumente conhecido como medo. Em algumas situações pode ser chamado de receio, que é uma apreensão quanto à possível dano, perigo ou fracasso.
E Golias traz a tona essa emoção desagradável a todos os homens de guerra de Israel e também ao rei Saul (I Sm 17.11,24). Porém, aparece aqui um personagem muito importante na história humana, Davi. Um jovem, sem idade para guerra, talvez estivesse no meio da sua adolescência, que tinha sido escolhido por Deus para substituir o ímpio Saul no reino de Israel (I Sm 16.1-13). É importante ressaltar que o Espírito do Senhor tinha se apossado de Davi quando da sua coroação.
A situação descrita neste conto não é incomum ao homem de hoje. Constantemente o ser humano, criatura cheia de medo, receio, dúvidas etc., é desafiado a enfrentar as suas fraquezas. Inúmeras vezes têm que encarar algo que o ameaça.
Quantos têm medo de escuro, de altura e de entrar no mar, lagoa ou piscina? Medo de cachorro, de barata, de lagartixa ou de cobra? Medo de ficar sozinho, de tomar decisões, de ser traído e de ser provado? Medo de ficar sem provisões (alimento, dinheiro e/ou moradia, por exemplo), de dormir e não acordar mais, de ficar doente, até de ter medo, dos castigos de Deus?
Muitos são os gigantes assustadores que surgem diante do homem. E estes despertam uma série de outros sentimentos além do medo, como: abatimento, aflição, agonia, angústia, desanimo, desespero, desprazer, dor, preocupação e vergonha.
Davi também poderia ter sentido, ou sentiu, tudo isto diante do desafio de Golias, mas ele possuía algo que o impedia de se deixar abalar por estes sentimentos: o Espírito de Deus (I Sm 16.13). Este Espírito é o mesmo que trouxe coragem a Gideão (Jz 6.34), que deu força a Sansão (Jz 13-16) e que Jesus prometeu que viria após a morte deste e chamou a este Espírito de Consolador (Jo 16.7-14).
Andando na rua e percorrendo vários lugares, inclusive a igreja, pode-se observar pessoas que estão cheias do medo e dos outros sentimentos que o acompanham. Alguns nunca ouviram falar de Deus da forma que Davi conheceu. Outros já ouviram ou leram as Escrituras, reconhecem-se como crentes ou servos do Senhor, mas ainda não fizeram algo que o próprio Davi aconselhou em Sl 37.5,7a RA: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará… Descansa no Senhor e espera nele”.
É isso mesmo! Não adianta somente reconhecer que Cristo é o Senhor e Salvador, tem que entregar a sua vida, seus planos, projetos e sonhos a Deus.
Davi entregou, confiou, descansou e esperou no Senhor, e, além de ter vencido o gigante Golias com uma funda e uma pedra (I Sm 17.48,49), foi o maior personagem da história judaica e da Bíblia depois de Jesus Cristo, o Messias. Foi o maior rei e salmista de Israel.
Ele ainda deixou o Sl 121.1,2 RA, onde se lê: “Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”. Mas por que o socorro vem do Senhor?
Preste atenção: o Deus que criou o céu e a terra é o mesmo que criou o homem. Todo bom inventor, ou criador, ama e preza pela sua invenção. Então, por que Deus não cuidaria, guardaria, o homem?
Em Sl 18.2-6,16 RA se lê:

O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte. Invoco o Senhor, digno de ser louvado, e serei salvo dos meus inimigos. Laços de morte me cercaram, torrentes de impiedade me impuseram terror. Cadeias infernais me cingiram, e tramas de morte me surpreenderam. Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos… Do alto me estendeu ele a mão e me tomou; tirou-me das muitas águas. Livrou-me de forte inimigo e dos que me aborreciam, pois eram mais poderosos do que eu.

Muitos estão passando por provações e estão desolados, cheios de medo, sem direção e refúgio. Mas isso pode acabar agora: apenas entregue a sua vida por inteiro à Deus e deixe-O agir como agiu na vida de Davi.
Com tudo isso, conclui-se que tudo vai ficar na paz total? Sem tormento, sem medo, sem preocupação, sem angústia, sem desanimo e muita prosperidade (como muitos pregam)? Queridos, não se enganem, pois Cristo disse: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (Jo 16.33b NVI).
Davi também passou por dificuldades (a partir de I Sm 16 e em todo o livro de II Samuel é contado toda a trajetória deste grande personagem). Passou por diversas adversidades e quedas, mas nem por isso considerou que o Senhor o tivesse abandonado. O Senhor nunca abandonou a Davi, assim como nunca irá abandonar você.
Por isso, com Cristo somos libertos do pecado (Rm 6.18); conhecendo e permanecendo na Sua palavra somos livres (Jo 8.31,32,36); lembrando sempre que “Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio” (II Tm 1.7 NVI).
Por fim, Paulo deixa uma mensagem de que o poder dele vem só de Deus:

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal… Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus. (II Co 4.7-11,15 RA)

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