MORTO VIVO




Por João Marcos Bezerra
Texto base: Ef 2.1-7

Lembrei da história de um homem que foi ao médico porque sentia dores no peito. Ao fazer a ausculta cardíaca, o doutor não ouviu batimento algum. Ao buscar o pulso não havia nada. Imediatamente o médico deitou o paciente na maca e começou a fazer massagem no peito e respiração boca a boca. O homem sem entender nada, protestou e mandou o médico parar com o processo. Foi aí que ele recebeu a informação que estava morto. “Mas como, doutor? Eu estou aqui conversando com o senhor, andando e me mexendo.” – respondeu o paciente. O médico sem entender nada também, reafirmou o quadro clínico e atestou o óbito. Depois da consulta, completamente desolado, o homem foi para casa e comunicou a família que estava morto. Apesar do espanto e das dúvidas, eles confirmaram o fato, aceitaram com tristeza a informação e providenciaram o enterro do “morto vivo”.

Esta história é relativamente “real”. A humanidade toda vive sem vida, pois estão mortos em pecados e transgressões (v.1). Aqueles que estão mortos espiritualmente, estão longe de Deus, mas não da graça divina, que nos deu vida por meio de Jesus Cristo (vs.4,5). Entretanto, o problema não é só em apenas estar morto; e sim, em está sujeito a sofrer a ira de Deus também (Jo 3.36). Foi essa ira que caiu sobre Israel, quando o profeta Jeremias escreveu que as misericórdias do Senhor não tem fim, renovam-se a cada manhã (Lm 3.22,23).
Por que Deus derramou a sua ira sobre o Seu povo? Porque eles abandonaram ao Senhor e depositaram a sua fé e devoção a outros deuses. Entretanto, o Criador não aplicou sua ira implacavelmente sem aviso. De Moisés aos profetas, Deus alertou a Israel que as práticas abomináveis a levaria ao castigo. Depois veio Cristo e os apóstolos avisando a toda a humanidade que o Dia do Senhor está chegando, onde o Messias voltará e julgará todos os povos e quem não for aceito na Nova Jerusalém sofrerá a ira divina juntamente com o diabo e seus demônios (Mt 24,25).
O apóstolo Paulo escreveu aos efésios usando uma metáfora similar à usada no início. Ele informa que nós éramos iguais ao morto vivo. Estávamos cheios de transgressões, pecados e mazelas porque vivíamos conforme os seguidores de satanás, seguindo os próprios desejos e pensamentos. Na verdade, infelizmente, muitos crentes ainda vivem assim: cheio de pecados. Isso faz parte da nossa natureza, mas Cristo nos libertou do jugo da escravidão do pecado (Gl 5.1) e permitiu que o pecado não governe mais a nossa vida. Então, temos a opção de viver ou não no erro. Que coisa maravilhosa!
Com isso, devemos entender que Deus é misericordioso porque nos amou ao ponto de nos dá a vida, a salvação, por meio de Cristo. E não só porque nos concede bênçãos.  A Sua ira condenará a todos os “mortos vivos” à morte eterna. Por outro lado, enquanto houver fôlego em nós podemos optar em continuar mortos nas transgressões ou viver a vida em Jesus. Então, reflita: em que condição você está? Vivo ou morto? Você entende que viver em Cristo é abrir mão do pecado? Você entende que a misericórdia de Deus está disponível para quem espera Nele? Lembre-se: Deus não é só misericordioso, mas justo também. Que Ele continue a derramar a sua misericórdia sobre nós.

“As misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos.”
(Lamentações 3.22)

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