EM BUSCA DO QUE FOI PERDIDO

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Por: João Marcos Bezerra

Este tema expressa opiniões diversas àqueles que a interpretam no meio cristão. Para alguns, parece que, um título como esse, expressa desespero e não reflete a realidade da igreja atual. Outros não entendem o que pode ter se perdido, pois a igreja hoje é um lugar tão legal. E ainda há a análise de que algo muito importante se perdeu ao longo do tempo e que precisa ser resgatado.
Sou defensor desta última. Mas antes pergunto: o que foi perdido? Você tem ideia do que se perdeu no cristianismo ao longo da história? O Evangelho que vivemos hoje é o mesmo vivido na Igreja Primitiva? Será que nós mudamos o mundo ou o mundo mudou a igreja? Fazemos diferença na sociedade ou vivemos em conformidade com o sistema? A igreja realmente é o melhor lugar para estar? Estamos mesmos desesperados? Afinal, o que está perdido?!
Diante de tantas perguntas algumas respostas já surgem sem muito esforço: o Evangelho que vivemos hoje não é o mesmo. Somos agentes incompetentes de transformação do mundo. Somos uma “metamorfose ambulante” e nos adaptamos ao sistema secular sem fazer diferença na sociedade. A igreja, não a instituição, mas as pessoas que a compõem, em muitos casos, não são pessoas abertas ao Evangelho e tornam a igreja institucional num ninho de cobras. E, por último, não estamos desesperados porque não reconhecemos as falhas, achamos tudo normal.
Mas afinal de contas, o que se perdeu ao longo do tempo?
Primeiro, o amor (I Jo 4.7-21). Testemunhamos fatos diversos em que este caráter tem se perdido ao longo dos anos e a sociedade amarga a consequência de viver sem o amor.
Deus nos amou ao ponto de criar o mundo para vivermos nele; ao ponto de trabalhar para que os acontecimentos mundiais nos mostrassem o Seu cuidado e amor para conosco; e, ao ponto de enviar o Seu único filho para morrer na cruz por nós e nos mostrar como viver em relação ao próximo.
Se amamos a Deus devemos revelar isso através do amor ao outro (v.21) e da prática dos seus mandamentos (5.2). Mas o que é o amor? O amor é ajudar um necessitado, é compreender e respeitar as atitudes das pessoas, é exortar alguém quando estiver errado, é não querer o outro só para si, é se doar mais do que o necessário, é não guardar rancor ou ressentimento, é sofrer, crer, esperar e suportar tudo (I Co 13).
Certa vez, uma determinada reportagem mostrou um jovem surfista que, num acidente de trânsito, ficou tetraplégico e não podia mais fazer o que mais gostava: surfar. Os seus amigos, também surfistas, mobilizaram-se para proporcionar ao jovem um momento de prazer e alegria através do surfe. Com isso, construíram uma prancha adaptada para três pessoas, inclusive um cadeirante, levaram o jovem até a praia com sua roupa de surfe, colocaram-no na prancha e remaram até o ponto de onde vinham as melhores e seguras ondas. Quando pegaram a onda a alegria e satisfação do jovem era tamanha que as suas gargalhadas podiam ser ouvidas a beira mar pelos que ali assistiam a cena. Proporcionar alegria a alguém é uma prova de amor. Isso também é o Evangelho!
Segundo, o prazer na lei do Senhor (Sl 1.1-3). O mundo tem difundido que a Bíblia é um livro de regras chatas e antiquadas para um povo retrogrado e ultrapassado, e também que existem outros fundamentos mais importantes fora das Escrituras Sagradas.
Diante disso, é importante esclarecer que a lei divina não existe somente pela lei. Toda ela possui um fundamento para existir, um por quê. Deus a instituiu para orientar o Seu povo a sobreviver durante uma longa jornada no deserto e a se preservar numa terra cheia de pessoas que não tinham a menor noção de higiene e cuidados. Atualmente, vários preceitos bíblicos são explorados pela ciência como base para cuidados com a saúde, planejamento logístico e empresarial, táticas de combate, ensino da poesia e da história etc. (II Tm 3.16,17).
Além dessas coisas, a Palavra de Deus é o manual de fé e prática de todo aquele que se diz cristão, de todo aquele que acredita que Deus existe e é o Senhor Criador do céu e da terra. A Bíblia trata da revelação divina ao homem e sem ela não podemos conhecer os atributos de Deus, entender a nossa existência e o propósito do Senhor para cada ser humano. E também dar a conhecer a vida e o caráter da maior personalidade da história e exemplo: Jesus Cristo.
Por isso, devemos conhecê-la, estudá-la e aplicá-la como padrão divino para a vida. A aplicação da Palavra é um condicionante, além do amor ao próximo, para provarmos que amamos a Deus de fato e de verdade (I Jo 3.18).
Terceiro, a comunicação (Mt 18.15-17, II Cr 7.14). Neste, tanto a comunicação com Deus (oração) quanto com o próximo está deficiente. Não há mais diálogo entre as pessoas e a oração tem ficado em segundo plano ou é usada somente para buscar ao Senhor no intuito de ter os seus desejos atendidos.
Atualmente, se alguém tem algo contra outra pessoa, guarda este sentimento até não suportar mais e explodir em ira. Ou, age com falsidade tentando ser o mais “tolerante” possível, mas por dentro está injuriando o outro. Ou ainda, não troca uma palavra sequer com o outro para não “suscitar a ira”.
A Palavra diz que se teu irmão pecar contra ti vai conversar com ele e tenta resolver o problema (Mt 18.15). Ela também diz que se você reprova a atitude do próximo exorta-o (Tt 2.15). O próprio Jesus é exemplo desse comportamento. Em vários momentos advertiu aqueles que procediam erradamente (por exemplo, Mt 23.13-36). Então, devemos dialogar com as pessoas. Seja pai, mãe, irmão de sangue ou em Cristo, parente, colega ou amigo, devemos conversar com elas sobre todos os assuntos possíveis.
E quando se fala em Deus? Como está a nossa comunicação? Temos orado constantemente, como diz em I Ts 5.17? Ele tem partilhado dos nossos anseios, desejos, decepções e frustrações. Ou “Deus é só um cara, pra gente chegar e pedir, pedir, pedir: me dá, me dá, me dá”? (verso de Amaury Fontenele) Qual a sua relação com Ele?
O rei Davi foi um homem segundo o coração de Deus porque ele conversava com Ele sobre tudo (veja os Salmos de Davi). Compartilhava as alegrias, as tristezas e até as frustrações e discordâncias. O rei estava sempre em comunhão, comunicação constante, com o Senhor.
É assim que o Senhor que manter um relacionamento conosco: comunicação constante e falar sobre tudo. Desta forma melhoramos a nossa relação com Ele e ficamos mais sensíveis a Sua voz, sendo pessoas melhores.
Mas afinal de contas somente o amor, o prazer na Palavra e a comunicação tem se perdido? Posso dizer que não, mas estas três falhas têm levado a outras: desonrar pai e mãe, casamentos desfeitos e famílias destruídas, violência, sexo antes do casamento e gravidez precoce ou não planejada, aborto e o cultivo as obras da carne (Gl 5.19-21). Todavia podemos resumir tudo isso em uma só perda: a falta de submissão a Deus. Isso mesmo a SUBMISSÃO A DEUS tem se perdido.
Se nós fossemos submissos a Deus amaríamos mais, leríamos e praticaríamos para o bem de todos a Palavra Dele e oraríamos mais. Entretanto, temos nos envolvido e investido numa jornada de vida longe da presença do Senhor de tal forma que o Ego ou o Eu tem se tornado a coisa mais valiosa do mundo.
Qual é o meu sonho? O que eu desejo? O que me satisfaz e dá prazer? O que tem valor para mim? Quem eu quero para amar? Estas são as perguntas que regem o nosso comportamento diante de Deus e das pessoas. Com isso, cada vez mais, ajudamos a construir um mundo pior para se viver.
Por isso, acredito que somente uma vida submissa a Jeová é feliz, realizada, a única que contribui para a transformação do mundo e a única que ENCONTRA O QUE FOI PERDIDO. O amor, o prazer na lei divina e a comunicação horizontal e vertical são os fundamentos da vida de quem é submisso ao Criador e se coloca como um agente de transformação do mundo nas mãos do Espírito Santo.
           Por fim, encerro com o celebre verso de Paulo: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2). Amém!

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