PERDÃO, SANTO REMÉDIO

Por João Marcos Bezerra
Texto Base: Mt 18.21-35

O texto da parábola do credor incompassivo retrata fielmente a minha e a sua conduta para com as pessoas. Somos ligeiros em pedir misericórdia a Deus e lentos em liberar perdão ao próximo.
Quantas vezes falhamos com o próximo e não pedimos perdão? Ou quantas vezes as pessoas falham conosco e não as perdoamos? Entretanto, quando pecamos contra Deus, na maioria das vezes, chegamos a Ele e nos arrependemos, como Ele é misericordioso nos perdoa.
Quanto aos nossos pais? Quantas vezes os decepcionamos, ofendemos, agredimos e falhamos? Entretanto, na maioria dos casos, eles nos acolhem. E por que não fazemos o mesmo com o nosso próximo?
É fácil buscarmos e alcançarmos perdão, mas o quanto é difícil liberarmos perdão: olhar com bons olhos a quem nos ofendeu; dar a mão, numa necessidade, ao nosso devedor; saudar a quem não gostamos; tolerar a quem nos magoou. Isso ocorre porque somos disciplinados pelo mundo a ser uma ilha cercada pela vaidade e pelo próprio ego, isto é, o nosso sentimento é mais importante que o do outro. Cada um pensa ser mais do que o próximo e isso é um bom motivo, muitas vezes até o estopim para um conflito devastador.
O marido se volta contra a esposa por causa de pensamentos diferentes. O filho se revolta contra os pais por não aceitar a autoridade deles. Os pais ficam brigados com os filhos devido a assuntos mal resolvidos. E irmãos em Cristo se dividem por palavras mal ditas e atitudes equivocadas. Com isso, o mundo e a igreja vão se tornando numa grande trincheira de guerra.

Quem vencerá? Uma guerra entre irmãos, uma guerra perdida. Quem perderá? Um povo escolhido, um povo ferido. (música ‘Depois da Guerra’ – Oficina G3)

Glória a Deus porque a Sua misericórdia dura para sempre e a Sua Palavra traz esperança e nos intima a liberar perdão (Mt 18.22,35; Tg 2.13; Cl 3.12-17): “[Perdoai] até setenta vezes sete” (Mt 18.22); “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3.13); “O juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou misericórdia” (Tg 2.13); “E tudo o que fizerdes, fazei-o em nome do Senhor Jesus” (Cl 3.17). Jesus nos ensina a perdoar sem limites. Quatrocentas e noventa (490) vezes é o número dado como exemplo. É um número que extrapola a cota humana.
Quando pensamos que somos mais importantes do que qualquer pessoa, não fica difícil se magoar, se frustrar ou odiar alguém com qualquer ação que nos contrarie. Esquecemos que todos são falhos, inclusive nós mesmos.
Além dessa falha da memória, deixamos de lembrar que o sentimento da falta de perdão é destruidor. A magoa, o rancor e o ódio são sentimentos parceiros a essa falta. E isso gera uma pessoa amarga e prisioneira daquele que o ofendeu. Quantas vezes estamos alegres e sorridentes e nos fechamos quando um inimigo chega onde estamos? Isso é escravidão! Deixamos de agir naturalmente e de estar bem por conta deste sentimento diabólico.
O Senhor nos orienta a perdoar no íntimo para que não caiamos na prisão, como o credor incompassivo caiu. Esta não é uma prisão física – a não ser que cometamos um crime contra o ofensor – mas é espiritual. Falta de perdão é um crime contra Deus, é pecado. O pecado nos afasta de Deus, cria uma barreira e impede a comunhão. E aí? Vale a pena ficar distante de Deus? Pois é esse o preço a ser pago.
Como é possível conseguir perdoar? “É muito difícil!” – acham alguns. Porém, o caminho é orar, reconhecendo a insensibilidade e falta de amor, pedindo perdão a Deus pelo pecado e também para que você seja liberto deste mau sentimento e libere perdão. Em seguida, ore pela pessoa pedindo para que o Senhor o abençoe.
Depois de orar procure o seu devedor e peça perdão a ele pela sua falta de amor e compreensão ou por ter permitido que a falta ocorresse. Aproveite para também, se você tiver falhado contra ele também, pedir desculpas pelo erro cometido. A partir daí o peso do pecado da intolerância desaparece. E melhor ainda será se houver reconciliação através do perdão mutuo.
Muitas vezes nem conversamos com o nosso ofensor. Então, faça isso agora mesmo! Procure a quem lhe ofendeu ou magoou, ou mesmo, a quem você fez isso. E sinta o que tenho sentido quando libero ou peço perdão, e como Deus se sente também quando o “amor lança fora todo o mal”.
O Senhor tem muito a abençoá-lo. Não permita que a falta de perdão o impeça de receber a benção divina. Deus o abençoe abundantemente através do perdão!

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