O ENGANO

Por João Marcos Bezerra
Texto Base: Jr 7.1-15
Jeremias foi profeta pré-cativeiro em Judá. Anunciou arrependimento e a oportunidade de redenção aos judeus ante a mensagem do cativeiro babilônico. Estes dominavam todas as nações em volta, e não demorariam muito a invadir a nação judaica.
No texto de Jeremias 7 o profeta vai a porta do Templo, a Casa de Deus, e anuncia a mensagem que dava esperança de salvação ou a conseqüência cruel do cativeiro. Isso se dava por causa da desobediência da nação de Jacó. Por isso, vemos nos versos 3 à 7 o Senhor dizendo: “… Emendai os vossos caminhos e as vossas obras, e eu vos farei habitar neste lugar”.
O povo pensava que, por ter a Casa do Senhor em seu território, não sofreria dano algum. Nem a invasão do rei Nabucodonosor, servo de Deus (Jr 25.9), aconteceria por isso – achava o povo. Doce engano, pois praticavam a injustiça, oprimiam os estrangeiros, as viúvas e os órfãos, derramavam sangue de inocentes (possivelmente sacrifícios de crianças em culto a deuses pagãos), e adoravam a outros deuses (vv. 5,6).
Os israelitas eram o povo escolhido por Jeová para ser a salvação para o mundo, assim como hoje é a Igreja de Cristo, que somos nós. Com essa relação, se pararmos para analisar nossa conduta como igreja, aprendemos que assim como os hebreus também temos falhado em nossa relação com o Pai, isto é, confiamo-nos que por estarmos na Casa do Senhor, ou buscarmos as bênçãos Dele, estamos safos para andarmos na impiedade.
Observando os versos 9 e 10, em alguns casos, ou vários (dependendo de cada indivíduo), vivemos no pecado e gozamos dos prazeres da carne, fazendo o mesmo que os judeus achando que mesmo assim estamos salvos.
Mentira, corrupção, falsos juramentos, idolatria, inveja, discórdia e adultério são práticas hoje de muitos que se dizem servos do Altíssimo. Mesmo assim se voltam para Ele, chegam a Casa de Oração, com a maior “cara lisa” para adorá-lo, sem se arrepender da vida pecaminosa. E ainda acham que estão salvos.
Por isso, repito a declaração de um autor desconhecido: “Salvo tem jeito de salvo, tem pensamento de salvo, tem ações de salvo e tem vida de salvo”. Não podemos chegar a Casa de Oração, ou a Casa do Senhor, sujos como porcos sem querer ser limpo para vivermos como ovelhas. É nisso que transformamos a igreja, local de adoração conjunta ao Senhor: num covil de salteadores.
Assim como o Templo em Jerusalém não representara segurança ao castigo mediante o pecado vivido, pois em Siló, que também fora a habitação de Deus, houvera destruição por causa do pecado, atualmente a presença na igreja não representa a certeza da salvação. É aí onde está o ENGANO!
O templo deve ser o local da comunhão com outros irmãos, do fortalecimento da busca do perdão e do arrependimento e do crescimento espiritual, isto é, a Casa de Oração pode se comparar ao hospital com alto grau de competência e qualificação para a cura espiritual daqueles que a buscam e não o encontro de pessoas levianas que brincam de fingir e não sentem arrependimento.
A Igreja de Cristo deve ser o referencial de vida no mundo, deve levar transformação as pessoas, deve revolucionar o sistema e alterar o curso de destruição para redenção. Em conseqüência disso, o servo de Deus deve ser o referencial de vida para os outros, deve ser agente de transformação, deve ser canal da revolução do sistema e da alteração do curso, deve mostrar e fazer diferença no mundo.
Em Rm 12.1,2 lemos:
“Rogo-vos, pois, irmãos, […] que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Isto mostra que primeiro devemos nos apresentar a nós mesmos em sacrifício, abrindo mão daquilo que não agrada ao Senhor; e, segundo, não devemos absorver e aplicar as coisas do mundo em nossas vidas, mas transformá-lo através da nossa própria transformação. Porém, infelizmente, hoje vemos que não fazemos diferença como igreja no mundo. Pelo contrário, aceitamos as coisas que vemos e vivemos e levamos à nossa aplicação diária.
Devido a isso, devemos refletir qual é o nosso comportamento como povo escolhido (I Pe 2.9); retirar das nossas vidas tudo o que não agrada a Deus; buscá-lo com mais sede e vontade para que Ele venha a nos transformar; e, procurar fazer diferença no mundo em que vivemos, transformando aqueles que estão ao nosso redor (se não vêem transformação nos crentes, nunca vão buscar tal transformação “inoperante”). Além disso, devemos deixar o ENGANO de achar que o simples fato de buscar a Deus vai livrar de sofrer as conseqüências do pecado praticado.
Por isso, pedimos que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos faça entender o que é viver para Ele: obediência em tudo! Amém.

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