CRISTO E O MUNDO: OS PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA

Por João Marcos Bezerra
Texto Base: Ap. 12.1 – 14.20
(Baseado nas Análises da Bíblia Shedd e Manual Bíblico Halley)

Considerações Iniciais
Ao ler os capítulos iniciais desta 2ª visão (4.1-11.19) no livro do Apocalipse, conhecemos os acontecimentos que virão com a abertura do livro selado com sete selos e, o único que tem o poder de abrir, o Cordeiro; na seqüência vem as sete trombetas e seus julgamentos e as duas testemunhas mártires.
Ao chegarmos nos capítulos 12 à 14, voltamos ao começo de toda a profecia, onde o autor tenta nos mostrar, mais detalhadamente, o simbolismo dos seres que protagonizam a história deste livro, que são eles: a mulher, a criança, o dragão, a besta-leopardo, a besta-cordeiro e o Cordeiro, além de expor a guerra no céu do arcanjo Miguel e os seus anjos contra o dragão.

Personagem e o Seu Simbolismo
• A Mulher e a Criança (12.1,2,4,5,6)
“Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-se grávida, grita com as dores de parto…”. (12.1,2)
Neste momento, esta personagem tem o propósito de simbolizar o povo de Deus: Israel e/ou a Igreja. Este mesmo povo é representado como mãe do Messias, simbolizado pela criança que “há de reger todas as nações com cetro de ferro” (v. 5) e que foi “arrebatado para Deus até ao seu trono” para que no tempo certo retornasse para julgar as nações.
A fuga da mulher para o deserto representa a perseguição que a igreja sofrerá no 2º período (1260 dias, 42 meses ou 3 ½ anos) do reinado do anticristo na terra.
O deserto tem a função de lembrar a proteção divina oferecida a Cristo no Egito, quando Herodes mandou matar as crianças menores de 2 anos na época do nascimento de Jesus. Além disso, o deserto também foi o lugar onde Deus guardou e preparou o Seu povo para entrar na terra prometida (de Êxodo à Deuteronômio); também foi para onde “na destruição de Jerusalém, em 69-70 d.C., os crentes escaparam em tempo para a cidade de Pela, no deserto além do Jordão” (Shedd).
• O Dragão (12.3,4,9,13-18)
“Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse”. (12.3,4)
Não há dúvidas que este ser é a representação do diabo, confirmado no verso 9. As sete cabeças e os dez chifres querem representar o domínio completo dele neste mundo perverso e as suas pretensões de domínio universal.
A cor vermelha é um indício bem provável de sua natureza assassina. As estrelas do céu (v. 4) demonstra o seu poder de comandar o seu exército invisível contra os santos de Deus ou a sua capacidade de atrair os crentes a apostasia.
A ida do dragão ao céu mostra a sua ousadia e fúria, por não conseguir frustrar os propósitos de Cristo, a ponto de ir lá para tentar destruí-lo. Chegando lá enfrenta a tropa do arcanjo Miguel e é expulso da presença do Senhor (v. 7-9). Com isso, o dragão retorna à Terra com o propósito de perseguir o povo de Deus, querendo levar o maior número de pessoas para o inferno junto com ele (v. 13,17).
• A Besta-Leopardo (13.1-10)
“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade”. (13.1,2)
Neste momento aqui vemos a figura do anticristo, que, como já sabemos, não recebe este nome no livro de Apocalipse, tem sua referência apenas como a besta. Além disso, observamos uma relação da descrição que Daniel usa em Dn 7.3-6: Leopardo, perigosamente malévolo; Pés de Urso, grande força; Boca de Leão, devora tudo. “Os chifres simbolizam poder, e os diademas representam autoridade” (Shedd) dados pelo dragão.
“Como o dragão, de quem era instrumento, tinha sete cabeças e dez chifres. Uma das cabeças fora golpeada mortalmente, mas a ferida foi curada. Continuou como potência mundial por 42 meses, blasfemou do nome de Deus e fez guerra aos santos”. (Halley)
Dependendo da interpretação esta besta pode ser vista como o antigo Império Romano (preterista); como o anticristo, no seu império de 10 reinos (futurista); e, como representação da concentração e personificação do poderio mundial, através de todo o período da História (histórico). Ainda nesta última, “as sete cabeças são as sete grandes potências que têm dominado a História: Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma e Roma papal”. (Halley)
• Besta-Cordeiro (13.11-18)
“Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão. Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida morta fora curada.” (13.11,12)
Nesta personagem encontramos o tão falado falso profeta, aliado da primeira besta. “Este animal, uma paródia de Cristo, tem forma exterior de um cordeiro. Representa aquele que perverte a religião, unindo-se a ela para fins perversivos”. (Shedd)
O propósito dessa besta é transformar o culto a besta-leopardo em uma religião oficial, pois a primeira besta representara o poder governamental e a segunda o poder religioso. Isso se completa no seguinte: “exige homenagens à representação do anticristo; pratica milagres e portentos para impressionar o povo; faz crer que a imagem do anticristo fala; força todos a pertencer á religião falsa; retira o direito da pessoa jurídica de quem não ingressar na religião do anticristo”. (Shedd)
Dependendo da interpretação esta besta também pode ser vista como o sistema sacerdotal do Império Romano (preterista), como o cabeça eclesiástico da igreja apóstata unida ao último império do mundo (futurista), e como a igreja apóstata que, depois da queda do Império Romano, curou o golpe mortal de Roma e fez reviver a cidade como cabeça de uma potência pagã-cristã (histórica).
O interessante que ela se identifica através de um número: 666. Uma das muitas explicações vê no número sete o símbolo da perfeição e no número seis, imperfeição: daí vem a interpretação do acumulo de maldade ou eterna maldade. Isso, vendo a numerologia, é o total que o nome da besta terá, como exemplo temos Neron Caesar, Lateinos (significa o reino latino), mas uma coisa importante observamos é que por mais que a besta-cordeiro seja, ela não será poderosa como o nosso Deus.
• O Cordeiro (14.1-5)
“Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai”. (14.1)
Neste momento final da demonstração dos protagonistas da história escatológica, vemos o Cordeiro, o verdadeiro. Ele surge, com justiça e retidão, junto com seus fiéis para se contrapor à besta e seus seguidores. Com toda a autoridade e poder ele tem o propósito de separar o Seu povo do resto do mundo, ceifando e pisando as “uvas amadurecidas”, e o que sai delas não é suco e sim, sangue.

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