APOCALIPSE: CRISTO E A IGREJA

Por João Marcos Bezerra
jmarcoscb@gmail.com
(Baseado nas Análises da Bíblia Shedd e Manual Bíblico Halley)

A VISÃO DE JESUS GLORIFICADO
No texto de Ap. 1.9-20 inicia a primeira visão do livro. E é neste texto que é apresentado Jesus Glorificado, lembrando uma referência ao Ancião de Dias do livro de Daniel 7.9. Neste momento é ordenado ao Profeta João que escrevesse, tudo o que fosse visto, em livro e mandasse para as sete igrejas da Ásia: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia (v. 11).
Também podemos observar que, além de toda a relação de Cristo com o Ancião de Dias (v. 13-15), também há alguns outros símbolos: a pureza Dele representada na cor branca (v. 14); a voz de muitas águas, a voz de Deus soou da mesma forma para Ezequiel, isso simboliza a autoridade e a soberania de Deus (v. 15); as chaves da morte e do inferno, demonstrando Quem tem o domínio sobre mortos e vivos (v. 18).
Além desses, João também vê os sete candeeiros de ouro (v. 12) e as sete estrelas (v. 16), que representavam os anjos das sete igrejas e as sete igrejas, respectivamente (v. 20).

SETE IGREJAS
Das sete igrejas, Éfeso é a que possui maior referência. Foi lá que Paulo realizou o seu maior trabalho. Além disso, há um livro (Efésios) dedicado é esta igreja e mais dois (I e II Timóteo) relacionados a ela.
Tiatira é mencionada como cidade de Lídia (convertida em uma pregação de Paulo, At 16.14). À Laodicéia Paulo recomendou a leitura do livro de Colossenses (Cl 4.13-16). As demais (Esmirna, Pérgamo, Sardes e Filadélfia) não são mencionadas em nenhuma outra parte do N.T.
Em relação a religião dominante nas sete cidades, havia principalmente o culto a Diana, aonde o templo era em Éfeso, outros nomes dados a essa deusa eram: Cibele em Esmirna e Sardes, Ártemis em Tiatira. Outro culto era ao Imperador, religião oficial do império romano, onde principal o centro era em Pérgamo.

A mensagem de Cristo as sete igrejas locais existentes no oeste da Ásia Menor é também para instrução, advertência e edificação dos crentes e igrejas da presente era (cf. 2.7,11,17,19; 3.6,13,22). O valor dessas mensagens para as igrejas de hoje vê-se nos pontos a seguir: (1) é uma revelação do que Jesus ama e anela ver nas igrejas locais, mas também aquilo que Ele repele e condena; (2) uma declaração clara da parte de Cristo, no tocante (a) às conseqüências da desobediência e descuido espiritual, e (b) a recompensa da vigilância espiritual e fidelidade a Cristo; (3) um padrão pelo qual toda igreja ou indivíduo pode julgar sua verdadeira condição espiritual diante de Deus; e (4) um exemplo dos métodos de Satanás para atacar a igreja ou o cristão individualmente. (Extraído da BEP)

MENSAGEM DAS CARTAS
Éfeso (2.1-7).
“Era mãe das igrejas da Ásia e centro metropolitano e comercial da região. Dizem que foi nela que Timóteo passou a maior parte de seu tempo e que depois veio João e fixou residência. Nesse ínterim a igreja crescera enormemente e tornara-se o centro da população cristã do império romano”. (Extraído do Manual Bíblico)
Esta igreja possuía um lado bom e outro mal. De bom havia nela as obras, a perseverança e que provava os líderes e não aceitava suas doutrinas (2.2). Também sofreu perseguições e não havia esmorecido.
Mas, infelizmente, tinha esfriado o seu amor para com Cristo e pela família dos cristãos; “o amor original, puro, fervoroso, alegre” (Shedd) (2.4). O que era o contrário do que realmente deve acontecer com o cristão, que deve amar a Deus cada vez mais no passar dos dias.
Com isso, Deus espera a sua restauração e chama a atenção para os três passos da conversão: “Lembra-te”, “Arrepende-te” e “Volta” (2.5). Caso não atendessem o chamado, serão afastados de Deus e sofreriam o julgamento devido.
“Ao vencedor” (2.7). Aqui vemos a promessa de comer da árvore da vida. Aquilo que foi perdido no Jardim do Éden será restaurado para aqueles que resistirem as tentações, as heresias e as concupiscências. Isso simboliza a participação da plenitude da vida eterna.
Esmirna (2.8-11). “Igreja sofredora… era esplêndida cidade, de rara beleza, sita em formosa enseada, a mais séria rival de Éfeso…”. (Manual Bíblico)
Esta era uma das duas igrejas justas e que não tinham nada que contrariava o Senhor. Havia nela a humildade, riqueza de espírito e fidelidade (2.9,10). Este é o excelente exemplo de como a igreja deve ser, diferente de Éfeso (orgulhosa) e Laodicéia (rica, porém pobre de espírito).
“Ao vencedor” (2.11). Como promessa Deus oferece a coroa da vida (2.10), simbolizando a vitória, e a isenção da segunda morte (2.11).
Pérgamo (2.12-17). “Era a Capital política da Ásia… Centro literário, sede notável de cultura helênica. Famosa por sua biblioteca, primeira depois da de Alexandria. O pergaminho foi inventado lá, tomando o nome da cidade, depois que o rei do Egito proibiu a exportação de papiro para ela… como capital política da província, era a sede do culto do imperador, onde era obrigatória oferecer incenso diante da sua estátua”. (Manual Bíblico)
Outra igreja com dois lados. De bom tinha que não negou o nome e a fé em Cristo, apesar de estar no centro religioso ao imperador romano, com direito a santuário e tudo a este deus (2.13). Porém, tinha contra ela o sustento dos defensores da doutrina de Balaão e dos nicolaítas (2.14,15), sendo o contrário da igreja de Éfeso (2.2,6).
Deus chama ao arrependimento (2.16), caso seja negado o Senhor pelejaria contra esta igreja.
“Ao vencedor” (2.17). Aqui é prometido a benção de participar da “ceia das bodas do Cordeiro” (19.9) e de receber um novo nome em uma pedra branca, “usava-se como um voto em benefício de um réu, e como “documento” de um escravo libertado, na Antigüidade”. (Shedd)
Tiatira (2.18-29). “Igreja transigente. Tiatira era famosa por causa do seu magnífico templo dedicado a Ártemis…” (Manual Bíblico)
Esta é a maior carta das sete. Encontramos aqui muitas características boas: obras, amor, fé, serviço, perseverança e crescimento (2.19). Mas era uma igreja tolerante as doutrinas pagãs, representadas em Jezabel. Esta é uma referência a esposa do Rei Acabe (I Rs 16.31), que conseguiu que o rei abandonasse a Deus para adorar as outros deuses. Halley também fala que poderia ser:

“uma devota de Diana, bela, porém abominável, possuindo o dom de liderança, seguida de gente influente na cidade, e que atraída à causa crescente do cristianismo, juntara-se à igreja, mas ao mesmo tempo insistia ativamente no privilégio de ensinar e praticar prazeres licenciosos, alegando que sua doutrina era inspirada”.

Na carta é feito um relato das conseqüências dos que “com ela adulteram” (2.21-23) e também a benção daqueles que se manterem fieis (2.24,25).
“Ao vencedor” (2.26-28). Agora vem a promessa da autoridade àqueles que guardarem a obras de Cristo até o fim. Além disso, o direito de gozar da companhia do Messias durante as tribulações.
Sardes (3.1-6). “Igreja morta. Gozava, porém, de boa reputação. Sardes, no 6º século a.C., sob Creso, fora uma das cidades mais ricas e poderosas do mundo; e nos tempos romanos ainda era famosa. Sua conversão a Cristo causara profunda impressão em toda aquela parte do mundo. Mas só foi conversão de nome. Ainda se apegavam às suas imundícias pagãs”. (Manual Bíblico)
Esta é a primeira igreja completamente má. Converteu-se falsamente, por isso tem “nome de que vives e estás morto” (3.1). Para completar, o Apóstolo diz: “não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus” (3.2).
Apesar dessa atitude, ela havia recebido alguns ensinamentos que seriam úteis para alcançar a vida. Se contrário, receberia um julgamento sem aviso prévio (3.3). Também havia naquela igreja pessoas que não tinham se contaminado com esta falsidade (3.4).
“Ao vencedor” (3.5). Neste momento vem o direito de receber as vestes brancas e de ter garantido o nome escrito no Livro da Vida.
Filadélfia (3.7-13). “Igreja humilde, mas fiel. Contentava-se de servir de exemplo da vida de Jesus no meio de uma sociedade pagã e corrupta. Amava a Palavra de Deus e estava resolvida a guardá-la. Igreja muito querida do seu Senhor. Não há nenhuma palavra de censura na Carta”. (Manual Bíblico)
Chegamos a mais uma carta dirigida a uma igreja integra. Sem censura, o Senhor coloca diante dela “uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar”, por ter guardado a Palavra e permanecido na Seu Nome (3.8).
Tem como promessa do Senhor que os inimigos se prostariam diante desta igreja, que também seria guardada da hora da provação (“sofrimento e perseguição que cairão sobre o povo de Deus antes da vinda de Cristo” – Shedd). Na carta chama-se a atenção para se conservar, evitando que tomem a coroa recebida.
“Ao vencedor” (3.12). Aqui vemos a segurança do crente ser estabelecido eternamente no reino de Deus, pois o símbolo de coluna do santuário era um costume de “honrar um sacerdote pagão com o acréscimo de uma coluna no templo local” (Shedd).
Laodicéia (3.14-22). “Igreja morna. Laodicéia era um centro bancário, orgulhosa de sua riqueza. Embelezada de templos e teatros resplendentes. Notável pela manufatura de ricas vestes de lã preta e lustrosa; sede uma escola de medicina que fazia um pó para tratamento de doenças de olhos”. (Manual Bíblico)
As cartas as igrejas da Ásia se encerram com a dirigida a Laodicéia, que era uma igreja completamente má. Esse caráter é marcado pela sua indiferença com o Messias (3.15-17), características repudiada por Deus, que prefere a oposição à indiferença.
O Senhor, com sua infinita misericórdia, aconselha que seja comprado a verdadeira riqueza celestial (ouro refinado), vestiduras brancas para esconder sua vergonha e colírio para limpar os olhos e enxergar (3.18).
“Ao vencedor” (3.21). Aqui chega a honrar maior de se assentar com Cristo no trono celestial e vencer.

Com estas sete cartas e igrejas aprendemos todas as características que o Senhor se agrada ou não de uma igreja atual. Ele espera que nos arrependamos e voltemo-nos para o Seu caminho.

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